Ainda dá tempo de correr até o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), localizado no Setor de Clubes Esportivos Sul, para visitar Kandinsky: Tudo Começa num Ponto, exibida fora da Europa pela primeira vez. Hoje é o último dia para conferir de perto as obras do artista russo pioneiro no abstracionismo.
Dois meses em cartaz, mais de 215 mil pessoas percorreram suas galerias. O último fim de semana da exposição foi de grande movimento nas áreas do CCBB destinadas ao artista. Ontem, centenas de pessoas enfrentaram longas filas para não perder a oportunidade. Todos os cinco blocos que contam a trajetória artística de Wassily Kandinsky estavam cheios. De acordo com a organização da mostra, em sete horas, mais de mil pessoas visitaram um único espaço.
Quem deixou para a última hora precisou esperar. Com o sol forte, muitos buscavam espaço nas sombras enquanto aguardavam nas filas. “Não vou a muitas exposições, só as que me chamam a atenção. O Kandinsky é um artista famoso e resolvi vir”, explicou a artista Rosana Alves, 56. Ela confessa que não esperava que o local ainda estivesse com muitas filas.
Ontem, saiu de Taguatinga, onde mora, em direção ao CCBB. “Vale a pena, com certeza. Quem ainda não veio, não pode perder a oportunidade”, garantiu.
Rosana acredita que hoje as filas devem estar bem menores, já que o dia é útil e muitos trabalham.
Desistência
Mas nem todos lidaram bem com a espera em excesso. Com um grupo, o casal Rute Freitas, 30, e Kleiton Fontes, 33, esperavam na fila para que a sobrinha Gabriela, 7, pudesse ver a mostra inteira. Passaram por alguns quadros, mas se renderam à impaciência de alguns dos acompanhantes, desistindo no meio do passeio.
“Hoje (ontem), não vamos poder ver tudo, mas amanhã (hoje) voltaremos para conferir o que faltou”, justificou a advogada, garantindo que pretende acompanhar mais de perto o cenário artístico mundial – até mesmo para conhecer outros artistas e exposições.
Capital é primeira parada
Brasília teve a chance de conhecer a obra de Kandinsky antes do resto do Brasil. O gestor público João Guilherme acredita que isso seja um atrativo a mais para o público que não costuma se interessar por arte. “Quem visita a mostra é apresentado a todo um contexto da época, dos movimentos que existiam, das influências. É muito bacana ver isso acontecer”, afirmou.
Cerca de 150 peças, entre quadros, objetos, fotos, livros e cartas sobre o artista, seus contemporâneos e influências, fazem parte da exposição. Porém, mais do que apresentar à população as obras do pintor, a mostra convida os brasilienses a conhecerem o que há por trás das produções, como a relação entre arte e espiritualidade, a cultura popular da região e o folclore russo, sua música e rituais religiosos.
Itinerário
A professora Fernanda Martinelli, 38, também opinou sobre a montagem: “Está muito bacana, bonita e bem montada”. Fez questão de destacar o fato de a capital do país ter recebido a exposição antes de outros estados, que costumam ser os primeiros destinos de grandes mostras
A exposição fica no Brasil até setembro. Daqui, Kandinsky: Tudo Começa num Ponto segue para o Rio. Em abril, chega a Belo Horizonte e, em julho, desembarca em São Paulo. A entrada é gratuita e o horário de visitação é de 9h às 21h.