Daniel Cardozo
Especial para Jornal de Brasília

A paixão pelo Carnaval e a superação fizeram a adolescente Thaynnara Cordeiro vencer o câncer e a perda de um dos braços. A passista da Aruc, de 17 anos, usou o samba no pé para voltar a viver uma vida normal. Neste ano, a estudante vai brilhar na avenida, mostrando que é possível seguir em frente, mesmo diante de grandes dificuldades.
Desde os cinco anos, Thaynnara desfila pela Aruc no Carnaval de Brasília. A família toda sempre esteve envolvida com o dia a dia da agremiação, e a estudante já havia passado por quase todas as alas nos desfiles. Até que, aos dez anos de idade, foi diagnosticada com osteossarcoma, um tipo de câncer que atinge principalmente crianças e idosos, afetando a articulação do ombro direito.
Amputação
Depois de um ano lutando contra a doença, foi necessário amputar o braço, para evitar que o câncer se espalhasse para o resto do corpo. Para a jovem, perder o Carnaval durante um ano foi uma das adversidades mais difíceis de superar. “Eu iria fazer a cirurgia logo depois do Carnaval, mas não pude ir. Fiquei só assistindo e chorei o desfile todo”, lembrou.
No ano em que perdeu o braço, teve de repetir a série na escola. Antes destra, a jovem precisou aprender a escrever com a mão esquerda. “Aprendi em uma semana. No começo, a letra saía feia e nem eu entendia, mas hoje é normal”, disse.
Ao todo, a adolescente teve de fazer cinco cirurgias, uma delas nos pulmões, e quimioterapia para ficar livre dos problemas de saúde. Em um dos períodos mais difíceis, enfrentou bullying na escola. “Quando eu voltei da cirurgia, as outras crianças ficavam puxando minha touca, me chamando de careca e dizendo que eu não tinha braço. Fiquei sem querer sair de casa”, contou, com tristeza. Hoje, a jovem gosta de estar no centro das atenções, sob os holofotes da avenida.
Na Aruc, ela buscou forças para seguir a vida. Sempre de bom humor, Thaynnara não deixa de fazer tarefas simples e é um exemplo para os outros colegas.