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Brasília

Hábito de comer fora de casa está cada vez mais caro

Arquivo Geral

23/01/2013 11h30

Julia Carneiro

julia.carneiro@jornaldebrasilia.com.br

 

Foto: Paula Carvalho/CedocMuito apreciado pelos brasilienses, o hábito de comer fora de casa está ficando cada vez mais salgado para o bolso. Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Distrito Federal (Abrasel), os dez mil estabelecimentos do setor no DF ainda relutam em repassar aos clientes os aumentos de custos, principalmente a alta de quase 10% nos preços dos alimentos na virada do ano.

 

Mas segurar os reajustes está difícil. No dia a dia, o brasiliense já percebeu que os cardápios estão pesando no bolso, tanto que quem se alimenta em bares e restaurantes constatou elevações acima de 20%. Um exemplo é o publicitário Luiz Filipe Machado, 28 anos, que há muito tempo costuma comer fora de casa pelo menos quatro vezes por semana. No entanto, ele questiona se poderá manter esse hábito. “Nos últimos dois anos já era impossível comer bem por menos de R$ 50 por pessoa. Agora, percebi que os preços aumentaram e não se come por menos de R$ 60”, diz. “O pior é que quem está subindo mais os preços são os restaurantes medianos, que tinham valores competitivos. Os clássicos, com comida sensacionais e conhecidos por serem mais caros, não reajustaram”, reforça.

 

O publicitário, que também viaja muito pelo Brasil, acha que esse problema é ainda mais forte em Brasília. “Os restaurantes vão continuar subindo os preços até as pessoas pararem de ir”, acredita.

 

DESONERAÇÃO

De acordo com Jaime Recena, conselheiro da Abrasel, se a inflação e os insumos continuarem aumentando, esses custos serão repassados ao consumidor. “O empresário não quer aumentar os preços, pelo contrário, mas eles estão sendo sufocados por uma série de impostos. O que ajudaria muito seria o governo tomar uma decisão rápida e desonerar a folha de pagamento do setor”, explica.

 

O grupo alimentação e bebidas foi um dos maiores responsáveis pela alta da inflação oficial (IPCA) de 2012, que ficou em 5,8%. No ano passado, o grupo aumentou 9,96%, segundo o IBGE. A alta foi de 2,68 pontos percentuais sobre a elevação registrada em 2011, de 7,18%.

 

Outros impactos também assustaram os empresários do ramo. Os vinhos, por exemplo, tiveram um reajuste médio de 23%, inviabilizando o consumo de muitas marcas.

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