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Brasília

Guia do Jardim Botânico celebra o Dia Nacional do Cerrado e reforça a preservação do bioma

O guia reúne fotografias detalhadas e informações sobre ocorrência, endemismo, morfologia, floração e frutificação de plantas encontradas no Jardim Botânico de Brasília

Camila Coimbra

11/09/2025 18h13

jardim botanico

Para a vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão, a educação ambiental é a principal porta para a conscientização da comunidade | Fotos: Divulgação/ Sema-DF

Divulgado oficialmente no último dia 4, o Guia sobre a Vegetação do Cerrado no Jardim Botânico de Brasília ganha ainda mais destaque nesta quarta-feira (11), quando se celebra o Dia Nacional do Cerrado. Com mais de 650 páginas e 548 espécies de ervas e arbustos catalogadas, a publicação se apresenta como um marco para a ciência e a conservação do bioma, reforçando a urgência de conhecer para preservar.

O guia reúne fotografias detalhadas e informações sobre ocorrência, endemismo, morfologia, floração e frutificação de plantas encontradas no Jardim Botânico de Brasília. Produzida por especialistas em botânica, a obra oferece um mergulho profundo na diversidade do Cerrado e se consolida como uma ferramenta essencial para pesquisadores, educadores e para a sociedade em geral. Mais do que um material de referência, o livro tem caráter prático: permite acompanhar processos de recuperação de áreas degradadas, avaliar a presença de animais e a oferta de recursos naturais, indicadores fundamentais para medir a integridade do ecossistema.O material está disponível para consulta no site oficial do Jardim Botânico de Brasília e em sua biblioteca de referência, aberta ao público.

Lançar o guia poucos dias antes do Dia Nacional do Cerrado não foi coincidência. A data, criada em 2003, tem como objetivo chamar atenção para a importância ambiental e social do bioma, considerado o berço das águas do Brasil. Das suas nascentes brotam cursos d’água que alimentam oito das doze principais bacias hidrográficas do país. O Cerrado abriga ainda cerca de 12 mil espécies de plantas, das quais mais de 4,8 mil são endêmicas, além de centenas de espécies de aves, mamíferos, répteis, anfíbios e peixes. Muitas dessas plantas têm uso medicinal ou fazem parte da alimentação tradicional, como o pequi, a cagaita, o baru e o buriti.

A diretora de Vegetação e Flora do Jardim Botânico, Priscila Rosa, destaca que a publicação permite aproximar a população da biodiversidade. “Conhecer é o primeiro passo para preservar. O guia ajuda a entender como cada espécie se comporta e como podemos avaliar se uma área recuperada está voltando a oferecer os recursos necessários para a fauna e para a manutenção do ecossistema”, afirma.

A relevância do Cerrado, no entanto, contrasta com as ameaças que sofre. Mais da metade da cobertura original já foi desmatada para dar lugar à agropecuária e ao crescimento urbano desordenado. O avanço da fronteira agrícola, as queimadas e a introdução de espécies exóticas intensificam a degradação. Esse cenário torna iniciativas como a do Jardim Botânico ainda mais valiosas, já que unem pesquisa científica, educação ambiental e conservação in situ.

O Jardim Botânico de Brasília é pioneiro no país em dedicar seus esforços à proteção do Cerrado. Com área visitável de 526 hectares, abriga coleções vivas, trilhas educativas e projetos de monitoramento que, desde 2017, já resultaram na coleta de centenas de espécies de plantas e até na descoberta de sete espécies novas para a ciência, ampliando o conhecimento sobre a flora brasileira e reafirmando a importância do bioma.

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