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Brasília

Grupo questiona legislação e critica o fechamento de bares

Arquivo Geral

18/05/2015 8h57

A polêmica em torno da Lei do Silêncio tem unido   cantores, atores, produtores culturais, artistas independentes e apreciadores da cultura da cidade. Na tarde de ontem, cerca de 200 pessoas  protestaram contra o fechamento de espaços culturais e bares por causa dos ruídos. O ponto de encontro foi a entrequadra 206/207 Sul, perto do bloco da onde mora a mãe do governador Rodrigo Rollemberg. O embalo do evento ficou sob o som de variados estilos musicais, sarau com poesia e projeção de cinema. 

De acordo com um dos organizadores da ação, o diretor de cinema Alan Shivas, 30 anos, a ideia do encontro começou espontaneamente, com o objetivo de reunir o público para refletir sobre o que acontece na cultura do DF. “Existe espaço para automóveis, por exemplo, e não existe espaço para as pessoas. Pensamos qual seria a maneira que conseguiríamos ter um diálogo cultural com o governador. É uma forma lúdica e artística de expor a situação”, aponta. 

Reportagem  do JBr. de ontem, que relatou a discussão em torno do problema, mostrou que a norma indicada pelo Instituto Brasília Ambiental (Ibram) estabelece   que    o som mecânico e o barulho produzido pelos frequentadores não podem ultrapassar 55 decibéis (dB) após as 22h. Os bares ocupam o primeiro lugar das denúncias ligadas à poluição sonora. As reclamações aumentaram 66% neste ano. 

Dados apontam que Brasília é a que possui mais queixas entre as regiões administrativas, o que se explica pelo fato de quatro mil, dos dez mil bares do DF, estarem concentrados nessa área.

Saiba mais
 Um dos bares que foram fechados recentemente é o Balaio Café, na 201 Norte. De acordo com o  Ibram, o histórico de autuações  começa em 2013, com advertência.
Em 23 de maio do mesmo ano, o  bar foi multado em R$ 20 mil e com as  atividades interditadas. O Balaio foi reaberto  em 11 de junho de 2014 e fechado novamente neste ano.  
 
“Regressão  na cena cultural da capital”
Ao examinar o tempo que atuou com mais frequência nos bares de Brasília, em 1982, a cantora Lucia França, 58 anos, acredita que o cenário atual tem piorado. “Nos sentimos bandidos quando temos que ir à delegacia com o violão por causa da música. A situação não pode continuar assim. Afinal, Brasília é o berço do rock e do chorinho. Mas, infelizmente, o descaso com os músicos é    grande”, comenta.
 
Para o produtor musical Zeca Valadares, 59, da Cooperock, cooperativa de músicos do DF, é preciso que haja mobilização nas ruas para que a cultura  seja observada com outro olhar. “Somente com humor para enfrentarmos a situação. É preciso ter consciência de que o artista é dono de uma produção musical que vai além do instrumento”, afirma. 
 
Cerca de 70 capas de CDs, penduradas na roupa do ator Vanderlei Costa, 37 anos, representavam o grito contra o silêncio musical: “Estamos passando por um período em que a música está sendo considerada barulho. É um erro gravíssimo”.
 
Segundo a Polícia Militar, a segurança da quadra contou uma equipe de 12 policiais. “Não tivemos nenhum problema ou ocorrência”, diz o sargento Fernando Mendes.
A expectativa do grupo era de que o governador Rollemberg comparecesse para que houvesse diálogo com os manifestantes. Mas isso não ocorreu. Até o fechamento desta edição, segundo a assessoria de imprensa do GDF, o governador não se manifestaria a respeito do evento.
 nas páginas 4 e 5

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