Jéssica Antunes
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Uma associação criminosa especializada em roubos em agências bancárias pelo país foi responsável por pelo menos três crimes cometidos no Distrito Federal, que somam mais de de R$ 1 milhão. A última ação na capital foi em 11 de setembro de 2018, quando R$ 250 mil foram retirados de uma agência do Banco do Brasil em Santa Maria. Três homens foram presos em Londrina (PR) e a Polícia Civil ainda investiga a participação de outros envolvidos. O grupo viajava para assaltar e retornava à terra natal.
A Operação Latus foi deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal na manhã de segunda-feira (5) com apoio das corporações de São Paulo e Santa Catarina. Presos, os suspeitos foram trazidos ao DF com apoio da Divisão de Operações Aéreas no fim do dia.
“Esse grupo atua em diversos estados da Federação, tendo provas de ocorridos no Paraná, São Paulo e DF. Já havia mandados de prisão em aberto para parte dos integrantes. No DF acreditamos que participaram de ao menos três ações em 2012, 2017 e 2018, e outras estão em investigação”, afirma Adriano Valente, diretor da Divisão de Repressão ao Crime Organizado (Draco). Aqui, também foram alvos uma unidade do Banco de Brasília (BRB) e do Santander.
Durante as ações, foram cumpridos três mandados de prisão e seis de busca e apreensão. Cléber Antônio Santos de Oliveira, 36 anos, foi preso em Londrina, tinha mandado de prisão expedido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo e fugia há cerca de um ano. Ele foi encontrado com documento falso. Wesley de Oliveira Silva, 36 anos, também estava foragido na mesma circunstância. Ele foi encontrado em um sítio a 140 quilômetros de Londrina, sem sair há 40 dias do local. Na casa de familiares dele, foi encontrada uma camiseta idêntica à usada na ação, o que o colocaria na cena do crime.
Márcio Estevão da Silva, foi detido em um hotel em Camboriú com documentos fraudulentos e o carro usado no assalto em Santa Maria. “Os três são do mesmo bairro, Jardim Leonor, da mesma geração, conviviam há bastante tempo e as famílias se conhecem”, aponta Waldemar Antônio da Tassara Júnior, delegado deslocado a Santa Catarina. Além dos três, pelo menos outros três fariam parte da organização criminosa e são investigados.
Para a Polícia Civil, a ação era mais estratégica que violenta. “Às seis da manhã, dois ou três dos membros se dirigiram à agência e faziam o arrombamento da fechadura pela porta lateral, que ficava fechada e disfarçada. Perto das 16h, horário de troca de notas, parte do grupo distraia as pessoas no local enquanto outros rendiam o tesoureiro com grave ameaça e conseguiam retirar grande parte de dinheiro. Quem estava usando a agência sequer percebia”, explica Waldemar Antônio da Tassara Júnior.
O trio será indiciado por associação criminosa ou organização criminosa, lavagem de dinheiro, roubos, uso de documento falso, entre outras tipificações que podem ser identificadas. Os suspeitos não foram ouvidos formalmente, mas, segundo a Polícia, já admitiram extraoficialmente a participação nos crimes. Se condenados, devem ficar presos por mais de 30 anos.