Ana Clara Arantes
anaclara.arantes@grupojbr.com
A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu um grupo criminoso que fraudava registros de dentistas para comprar e revender materiais odontológicos no Distrito Federal. A estimativa dos investigadores é de que o prejuízo chegue aos R$ 500 mil. De acordo com o delegado Wisllei Salomão, o valor pode ser ainda maior, já que as empresas não são do DF e ainda não há como mensurar o tamanho do golpe. As investigações continuam.
O esquema funcionava da seguinte forma: os bandidos conseguiam dados profissionais de dentistas, como a matrícula no Conselho Regional de Odontologia (CRO), e em seguida, falsificavam documentos para comprar materiais odontológicos, fora do DF. A compra dos produtos era efetivada com cartão de crédito clonado.
Os cartões clonados eram feitos com a participação de um frentista de um posto localizado em Samambaia. Ele tinha acesso aos cartões do clientes e aproveitava para recolher os dados. O delegado dá a dica: “é importante que a população evite entregar o cartão de crédito para outra pessoa. Peça a máquina para que você tenha sempre o cartão em mãos. Tampe também o código que fica na parte de trás do objeto, para que não consigam ver o número”.
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Delegado Wisllei Salomão. Foto: Lucas Móbille/Jornal de Brasília
Conforme Salomão, ainda é necessário saber se existem mais envolvidos no crime e por isso essa é só a primeira fase da Operação Dentarium. Além do valor do prejuízo, a Polícia Civil tem a informação de 36 ocorrências registradas por dentistas denunciando roubo de dados profissionais e CROs. “Isso não quer dizer que todas as ocorrências sejam relacionadas a esse grupo criminoso”, frisa.
Sobre as investigações, o delegado relata que tiveram início há quatro meses. “Recebemos uma ligação de uma empresa de Santa Catarina que vende material odontológico, informando que seria a terceira vez que vendiam seus produtos para supostos dentistas em Brasília e que os cartões eram clonados”.
Com base nas ocorrência, deu-se início às investigações. A polícia constatou que o grupo buscava informações dos profissionais em sites, criando uma falsa carteira de identificação.
Presos
O líder do grupo, que já estava preso desde maio deste ano, possui ao menos 22 passagens pela polícia. Ele havia sido preso por falsificação de documento. “Quando estava preso, o homem apresentou um diploma de graduação falso e irá responder por isso também”, conta Wisllei Salomão.
O grupo criminoso será indiciado por estelionato e falsificação de documento, mas a pena vai variar dependendo da qualificação do grupo – se é organização criminosa ou associação criminosa. “Isso só será definido sob investigação”, diz o delegado.
Foram presas sete pessoas sob prisão temporária e uma ainda está foragida. Além disso, foram apreendidos três veículos, supostamente adquiridos frutos do golpe, e documentos falsos.
- Ana Clara Arantes/Jornal de Brasília
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