As cooperativas de transporte público Cootarde e MCS retomaram as atividades, mas a greve dos ônibus ainda não acabou por completo. Os trabalhadores da viação Pioneira a da cooperativa Alternativa mantiveram os braços cruzados, sem previsão de retorno. Agora, são 212 mil passageiros prejudicados, situação que aflige o comércio. Preocupado com o impacto negativo devido à proximidade do Natal, o Sindicato do Comércio Varejista vai pedir a intervenção do Ministério Público no caso.
As regiões afetadas pela greve são Gama, Santa Maria, São Sebastião, Itapoã, Paranoá, Lago Sul, Jardim Botânico, Candangolândia, Park Way e Samambaia. Segundo o Sindivarejista, que representa 30 mil lojas de rua e de shoppings, a paralisação tem trazido prejuízo, uma vez que muitos funcionários chegam atrasados ou nem conseguem comparecer ao trabalho.
Algumas lojas têm alugado veículos para transportar os funcionários, mas nem todas podem tomar essa providência. “Estamos a 43 dias do Natal (ontem), época em que as vendas começam a crescer. Com a paralisação, há transtornos com efeitos econômicos negativos. Esperamos que o Ministério Público adote as providências que o caso requer”, declarou o presidente do sindicato, Edson de Castro.
Mas os rodoviários não pretendem voltar ao trabalho enquanto os salários, os tíquetes-alimentação e o plano de saúde não estiverem em dia. A categoria também exige que as empresas apresentem um planejamento para que os atrasos nos pagamentos não voltem a ocorrer.
ALTERNATIVAS
Quem depende do transporte público tem recorrido aos piratas para se locomover. Segundo o operário Geovane Gomes, 23 anos, morador do Itapoã, o uso do transporte irregular tem saído caro. “São R$ 50 em uma semana, faz diferença no nosso bolso. Mas não temos opção”, lamenta.
O auxiliar administrativo Hebert Junior, 39 anos, também tem buscado a mesma alternativa. “Essa greve afeta todo mundo. É complicado, porque não podemos tirar a razão deles, né?! Eu não admitiria trabalhar um mês inteiro de graça. As contas chegam e não esperam. Eles precisam receber”, reforçou o passageiro.
Confusão no Conic
No posto de bilhetagem do Conic, as portas foram abertas somente após a chegada da reportagem, quando duas funcionárias organizaram uma fila e explicaram que haveria apenas 1h20 de atendimento, sendo que, na teoria, o posto deveria funcionar das 8h às 18h. Inconformados com o descaso, os usuários (foto) reclamavam para ter as os serviços efetuados. A vendedora Raquel Lacerda, 32, afirma que falta presteza dos funcionários. “Isso parece má vontade por parte deles”, explicou.
Saga da recarga de cartão
Pelo terceiro dia consecutivo na Rodoviária do Plano Piloto, o JBr. encontrou os guichês de atendimento do DFTrans fechados. Os usuários de vale-transporte e passe estudantil que tentaram efetuar qualquer tipo de operação voltaram para casa sem ser atendidos. Na unidade, havia o mesmo aviso dos últimos dias, informando que o sistema do órgão estava inoperante. No Conic, a insatisfação dos passageiros era semelhante. Apesar de haver atendimento, os problemas no sistema operacional provocaram tumulto.
O vigilante Manuel Ribeiro, 49 anos, destaca que ontem foi o terceiro dia de tentativa para recarregar o cartão nesta semana. Ele conta que tem ido ao posto de atendimento da rodoviária porque o terminal já faz parte do trajeto diário. “É um descaso com o consumidor. Já tentei fazer a recarga pela internet e também não consegui. Isso é pura falta de administração”, disse.
O DFTrans afirmou que todos os postos do DF operam normalmente, com exceção do posto do Conic, que esteve fechado por razão de uma auditoria interna, justamente no período em que a reportagem esteve ali. Quanto à unidade do Rodoviária do Plano Piloto, o órgão deu a mesma resposta dos dias anteriores: os serviços devem ser normalizados hoje.