Pelo segundo dia consecutivo, usuários de transporte público das cinco cidades atendidas pela Viação Pioneira ficaram sem ônibus, cenário que deve se repetir hoje. O Transporte Urbano do DF (DFTrans) reconhece a dívida de R$ 15 milhões com a empresa, mas não apresenta sequer proposta para a quitação do débito. Para tentar contornar a situação, a Pioneira decidiu tentar por conta própria um empréstimo com o Banco de Brasília (BRB) para saldar a dívida com os funcionários e garantir o pagamento do salário, atrasado desde o último dia 4.
De acordo com o diretor do Sindicato dos Rodoviários, João Jesus de Oliveira, até o fechamento desta edição, o banco não havia dado o parecer sobre a solicitação de crédito.
“Tudo indica que a greve vai mesmo continuar durante o fim de semana”, disse.
A dívida do governo com a empresa corresponde ao repasse de três quinzenas referentes ao passe livre estudantil, à passagem gratuita a portadores de necessidades especiais e à Operação Branca do BRT.
Usuários
Alheia ao impasse, mas prejudicada pela paralisação dos rodoviários, a moradora do Gama Marquelene Silva, 26 anos, não sabia como voltaria para casa no fim da tarde de ontem. “Não sei onde pegar o ônibus. Ninguém informa nada”, reclamou.
O DFTrans remanejou alguns ônibus de cooperativas para fazer a linha até o Gama. Mas a quantidade era insuficiente. No início da noite, o que se via eram paradas lotadas de passageiros. A tarefa de voltar para casa não era fácil. Até as lotações piratas, que cobravam R$ 5, estavam concorridas. O intervalo entre uma e outra era longo.
Depois de ficar uma hora e meia esperando um ônibus na plataforma superior da Rodoviária do Plano Piloto, o pedreiro José Gomes, 36 anos, parecia conformado com a espera. “Tenho de esperar, não há o que fazer”, lamentou.
Em nota, o DFTrans afirma que tem feito repasses praticamente diários às empresas para amenizar o impacto da dívida. Mas não informou quando vai quitá-la toda.