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Greve dos metroviários completa 150 dias

Há cerca de cinco meses, metrô circula com capacidade reduzida. Fim de paralisação ainda é incerto

Última greve dos metroviários durou 77 dias. Foto: Rayra Paiva Franco/CEDOC/Jornal de Brasília

Completam-se, nesta quinta-feira (16), 150 dias da maior greve já feita por funcionários da Companhia do Metropolitano de Brasília (Metrô-DF). Iniciada em 19 de abril deste ano, o Sindicato dos Metroviários (Sindmetrô) convocou os servidores à paralisação devido ao não pagamento do auxílio alimentação e retirada de benefícios para novo contrato, de acordo com a categoria.

Desde então, a quantidade de veículos circulando é menor. No início da greve, a frota era de 60% em todos os horários, mas após determinação do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ainda no fim de abril, passou-se a rodar 80% da frota em horários de pico, das 6h às 8h45 e das 16h45 às 19h30 – 19 trens dos 24 existentes. Rodam 60% da capacidade em horários normais, entre 8h45 e 16h45.

São cerca de cinco meses de greve e, até o momento, segundo a entidade sindical, pouco foi mudado ou negociado desde o início da paralisação. Foi aberto processo junto ao Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT10) para conseguir resolução quanto a um novo Acordo Coletivo de Trabalho. De acordo com Renata Campos, da Secretaria de Administração e Finanças do Sindmetrô, não há previsão de fim da greve.

“Estamos aguardando a justiça resolver nossa questão. Já está judicializado e, nesse momento, é o MPT quem está elaborando um parecer para poder voltar para o TRT. Isso para depois colocar em pauta para ser julgado. Como o MPT ainda vai se manifestar, não temos nenhuma previsão. Eles deram ciência do processo dia 6 e tinham 10 dias para responder de volta ao TRT”, afirmou Renata.

Ainda segundo ela, porém, o processo está mais próximo do fim do que próximo de quando começou. Com a greve, conforme relatou, os empregados têm tido dificuldades para arcar com os custos de alimentação, transporte e gastos com a casa. “Tem gente que não tem mais dinheiro. A situação está feia. Alguns estão vendendo apartamentos e tivemos até uma tentativa de suicídio, então o pessoal está passando por um momento muito delicado quanto à essa questão”, disse.

“Estamos depositando todas as nossas esperanças e forças na Justiça, no Tribunal. Acreditamos que a justiça a favor do trabalhador ainda existe. É a nossa única opção; não tem outra saída. Não queremos nenhum aumento, mas sim que se permaneça o acordo conforme estava, sem retirar nada”, complementou.

PPP em pauta

Com o descarrilamento de um dos veículos do Metrô-DF na noite da última segunda-feira (13), entre as Estações Galeria e Central, o governador Ibaneis Rocha comentou sobre as dificuldades vivenciadas pelos usuários do transporte, tanto pela qualidade do serviço quanto pela escassez de carros durante a greve dos metroviários. Para o chefe do Executivo, o caso reforça a “necessidade da concessão” do serviço à iniciativa privada.

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“Esse acidente vai numa linha que eu insisto há bastante tempo. O metrô precisa de muitos investimentos, e nós só vamos conseguir fazer esses investimentos a partir da concessão que estamos trabalhando para resolver com o Tribunal de Contas”, disse o governador. Para ele, a greve é “política” e tem por objetivo evitar a privatização.

Em contraponto, porém, de acordo com a secretária de Administração e Finanças do Sindmetro, “a greve não é política, contra a população, contra o governo, ou contra projeto de PPP [Parceria Público Privada]”. “Não há vinculação política nenhuma. O que pedimos é condições básicas e dignidade para trabalhar”, finalizou Renata.

Procurada pelo Jornal de Brasília sobre as demandas e justificativas para a greve, a Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF) informou que “aguarda o julgamento da ação de dissídio coletivo pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRT)”. “Reitera ainda que a empresa permanece aberta ao diálogo com a categoria e continuará tomando todas as medidas administrativas, operacionais e judiciais cabíveis para atenuar os transtornos da greve à população do Distrito Federal”, destacou em nota.

O que as pessoas pensam

Carlos Henrique, de 33 anos, é consultor de vendas no Plano Piloto e sai de casa, em Ceilândia, todos os dias por volta de 7h para pegar o metrô. De acordo com ele, após a greve dos metroviários, precisou reorganizar os horários para chegar no horário ao trabalho. O trajeto antes feito em cerca de 45 minutos, hoje demora em torno de 1h10 e 1h20, conforme contou à reportagem.

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“De vez em quando ainda demora a chegar o metrô e acabo me atrasando para o serviço. E algumas vezes eu tive que, ao invés de pegar o metrô, pegar o ônibus, por conta da demora”, afirmou. Para ele, do tempo que a greve começou, o serviço já deveria ter melhorado.

Essa também é a opinião da cuidadora Michelle Pinheiro, 19, que comenta que a greve tem durado tempo demais, e que uma “providência já deveria ter sido tomada”. Ela também mora em Ceilândia e sai de casa às 6h. Para a jovem, o trajeto da volta é o que mais incomoda, porque passou a chegar mais tarde em casa para descansar.

“Os ônibus vão lotados, então o jeito é pegar o metrô para tentar chegar um pouco mais rápido em casa”, disse. De acordo com ela, anteriormente o trajeto durava cerca de 40 minutos, mas atualmente tem durado quase 1h30. “Quando pego um plantão tarde é pior porque às vezes o metrô fecha. É complicado. Daí pego um ônibus e demora ainda mais”, finalizou.

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