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Brasília

Governo vai ter de explicar “pedido” de demissão

Arquivo Geral

29/07/2016 7h14

Atualizada 28/07/2016 22h16

A Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde do Ministério Público do DF pediu explicações ao Governo do DF sobre a exoneração do jornalista Caio Barbieri. Na publicação do Diário Oficial do DF, aparece que o desligamento foi “a pedido”.

Ele contesta e diz que jamais assinara qualquer carta de demissão. A promotora Marisa Isar quer saber os motivos da demissão e solicitou cópia do documento que comprovaria o pedido de exoneração do jornalista. Barbieri foi gravado pela sindicalista Marli Rodrigues, em conversa com o ex-subsecretário de Saúde, Marco Júnior, autor do desenho de um fluxograma que mostraria a ligação de gestores da pasta ao governador Rodrigo Rollemberg e à mulher dele, Márcia.

O jornalista, que é um dos autores do pedido de investigação que tramita no Ministério Público, estava lotado na Secretaria de Esporte e Turismo, depois de ter passado pela Casa Civil do DF, quando teria denunciado ao secretário Sérgio Sampaio uma tentativa de extorsão sofrida por Marli.

Correção

O Diário Oficial do DF de ontem já trouxe a correção. O governo reformou a publicação e tirou o “a pedido”. A comunicação teria sido feita informalmente pelo secretário adjunto de Turismo, Jaime Recena. Portanto, não haveria papel algum. Sobre o pedido de explicação do Ministério Público, a Casa Civil informou que não chegou por lá.

Cada um com seu papel

De Renato Santana para Marli: “Tem hora que eu fico com dó do Rodrigo (Rollemberg), tem hora que eu fico com raiva. Eu acho que você tem que ter raiva”.

Palavras de baixo calão? Fichinha

Determinados aliados do governador não se surpreenderam com o linguajar de Renato Santana nas polêmicas gravações divulgadas por Marli Rodrigues. Já acompanhavam as movimentações do vice-governador sem o uso de grampos. A partir dos relatos de fontes, tinham pleno conhecimento do palavreado e também de várias críticas desferidas por Renato contra o próprio Rollemberg. Será que também rolou xingamento?

Entornou o caldo

Os primeiros depoimentos de Marli Rodrigues e Renato Santana na CPI da Saúde deixaram o presidente da comissão, deputado Wellington Luiz, com a pulga atrás da orelha. Alguma coisa não batia. Com a revelação do novo áudio nesta semana o caldo entornou de vez. “Ambos mentiram sob juramento para a CPI.

A Marli disse que entregaria tudo para a investigação. Não entregou. O Renato disse que só havia falado com ela uma vez. Mentiu também”, disparou. Por parte do distrital, o surgimento de uma nova gravação despertou muita desconfiança em relação a conduta de Marli.

De onde vem o estilo conta-gotas?

“O que Marli quer? Ninguém tem dúvida de que as informações que ela traz são relevantes, mas não dá para entender a postura dela. Fomos pegos de surpresa”, questionou Wellington. A CPI deverá se reunir na próxima quarta-feira.

Diante deste novo cenário, a definição da acareação entre a sindicalista e o vice-governador tornou-se imperativa, do ponto de vista do presidente da comissão. Os distritais também deverão marcar as datas dos depoimentos de outros personagens deste caso.

Fala povo!

No debate sobre a instalação de organizações sociais na rede pública de saúde, quase todo mundo fala. GDF, Câmara, oposição, situação, servidores públicos e instituições sempre têm direito a um microfone. Mas cadê a voz da parte mais interessada? A população ainda não foi ouvida da maneira devida. Já passou da hora das entidades envolvidas neste debate darem o devido espaço para que as comunidades populares se manifestem… Sem teatrinho, sem claque, sem roteiros e sem auditórios com ar-condicionado.

Lupa federal

Diante da enxurrada de gravações em que o vice-governador Renato Santana relata pagamento de propinas e outras irregularidades no Governo do DF, o deputado Izalci, presidente do PSDB-DF, resolveu levar o assunto para o âmbito federal.

Na próxima semana, quando a Câmara dos Deputados retoma os trabalhos, Izalci apresentará na Comissão de Fiscalização e Controle um requerimento para que o governador Rodrigo Rollemberg, ou alguém que ele indicar, dê explicações sobre a aplicação dos recursos do Fundo Constitucional na área de saúde.

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