Kelly Ikuma
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A violência contra a mulher está se tornando um cenário cada vez mais freqüente no Distrito Federal. Só neste ano foram registradas uma média de dez ocorrências por dia no período entre janeiro e março. E esse número é ainda maior se contabilizados os casos em que não há denúncia. Com o propósito de ajudar as vítimas de agressão, doméstica ou não, a Secretaria de Estado da Mulher em parceria com a Companhia de Planejamento do DF (Codeplan), lançou nesta quinta-feira (19) o Disque 156, opção 6, que oferece informações e esclarece dúvidas sobre a lei Maria da Penha.
Esse serviço, que funciona em caráter experimental desde o dia 30 de março, tem a função de mostrar às mulheres em situação de risco todas as ferramentas disponíveis para que elas possam superar suas histórias de violência. Seis atendentes do sexo feminino, capacitadas pelos próprios funcionários da secretaria, escutam as denúncias e, dependendo do caso, encaminha a vítima à delegacia mais próxima, caso ela queira registrar a ocorrência, ou para os Centros de Referência e Atendimento às Mulheres, onde elas terão apoio físico, jurídico e psicossocial. Até a presente data foram realizados vinte atendimentos.
A secretária de Estado da Mulher do Distrito Federal, Olgamir Amancia, informou que a parceria com a Codeplan foi de extrema importância, pois permitiu que o governo tivesse acesso a dados sobre a realidade das mulheres do DF. “Com essas informações podemos oferecer um serviço baseado nos problemas reais relatados”, afirma. Segundo ela, pesquisa realizada pela secretaria revelou que apesar de 90% das entrevistadas saberem da existência da lei, elas desconhecem seus desdobramentos. Além disso, 40% não sabem dos serviços oferecidos a elas e a maioria desconfia do trabalho dos policiais militares e civis.
“A intenção desse serviço é responder às demandas das mulheres vítimas de violência no DF e evidenciar o compromisso do governo com essa questão”, relata a secretária, que destaca a denúncia como a grande oportunidade da mulher dar um basta nessa questão. “Esse é o único caminho para elas conseguirem seguir em frente, mesmo porque quando os agressores são os próprios companheiros, a probabilidade deles mudarem o comportamento é ínfimo, pois eles precisariam de um acompanhamento psicológico, que também é oferecido pela secretaria”, afirma Olgamir.
O mesmo recado foi reforçado pela primeira-dama do DF, Ilza Queiroz, que ressaltou sobre a dificuldade que as mulheres têm de denunciar. “Como sou médica ginecologista já presenciei vários casos de vítimas de violência que não denunciavam por medo, porque na maioria das vezes as agressões partiam dos próprios companheiros”, disse. De acordo com ela, o serviço 156 será mais um canal oferecido pelo governo para ajudar essa parte da população.
Esse serviço funcionará de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h, e das 8h às 18h nos sábados, domingos e feriados. As ligações que forem realizadas fora desse horário, será informado por meio de gravação eletrônica o telefone da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) e oferecida orientação para que seja procurada a delegacia de polícia mais próxima da ocorrência.
Serviços – O Distrito Federal possui nove núcleos de atendimento à família e ao autor de violência doméstica, que são espaços de acolhimento e atenção psicológica e social e atende somente a demanda judicializada. Existem ainda dois centros de referência, que atende as demandas espontâneas e que agora receberá as mulheres que ligarem para o 156. Também existe a Casa Abrigo, unidade de caráter sigiloso que recebe vítimas encaminhadas pelo Deam, sujeitas a risco de morte. O atendimento também se estende aos filhos.