O discurso do governo Rollemberg após vazamento de lodo da estação de tratamento de esgoto no Lago Paranoá foi a gota d’água para o fim da paciência do PV com a gestão socialista. Ou melhor, foi a gota de esgoto para o partido, que até então participava da base governista em silêncio. O presidente regional da sigla, Eduardo Brandão (foto), não digeriu a postura do Buriti ao atribuir o incidente aos desdobramentos do impasse entre a Caesb e os servidores em greve. Do ponto de vista do ambientalista, o Executivo deveria adotar medidas de segurança para evitar a repetição da cena e não jogar a culpa do episódio nos ombros dos trabalhadores.
Rachaduras
“O Rodrigo tem boas intenções. É uma pessoa ética e procura fazer o resgate do Distrito Federal. Mas o governo está completamente inoperante em todas as áreas. Nem vou falar da questão ambiental, para não dizerem que sou revanchista. Até a mudança de sentido das ruas em Taguatinga está um caos. Uma coisa corriqueira em qualquer lugar no mundo, que seria para o bem de todos virou uma confusão. Fiquei calado na desocupação da Orla. Mas eles começaram a derrubar sem o projeto de reocupação estar pronto. Tinha que ter na mão para começar logo depois. Não basta ter discurso, a população quer resultados”, desabafou Brandão.
Finais
O PV continua ao lado do governo, mas dentro das próximas semanas começará uma série de reuniões com a Executiva em cada região administrativa para analisar pasta a pasta do GDF. “Não estou vendo mais como não caminharmos para uma posição de independência ou até de afastamento. Mas essa é minha opinião. O partido ainda vai discutir isso”, comentou Brandão. Segundo o presidente da sigla, as desculpas da crise nacional e das heranças malditas do governo passado não colam mais. “Ou Rodrigo mostra à que veio ou vai ter um fim mais melancólico do que Agnelo Queiroz”, sentenciou. Pois é, mais um partido da base entra em rota de colisão com o GDF.
Pelo consenso
Apesar de não ser um candidato oficial, o deputado federal Rogério Rosso (PSD) é um nome potencial para a presidência da Câmara dos Deputados. “A princípio estou tentando junto com vários líderes e parlamentares buscar um consenso mínimo para evitar um racha na base. Portanto não se trata de ser ou não candidato mas se garantir a governabilidade do Governo”, comentou o parlamentar. Caso seja consenso ou a opção mais viável, Rosso admite a possibilidade de ser candidato. “Sim. Porém são muitas as candidaturas da base e temas que respeitar”, afirmou.
A regra é clara
Depois da preocupante briga entre vândalos das torcidas do Flamengo e Palmeiras, o Mané Garrincha comemorou ontem três partidas seguidas sem incidentes. O público continua aquém da capacidade da arena, apesar dos ingressos com preços mais baixos. No entanto, o GDF analisa positivamente a sequência de partidas pacíficas. Segundo a Secretaria de Esportes e Turismo, o novo padrão de segurança adotado após o episódio de violência se mostrou acertado, inclusive no isolamento do torcidas. Entre as mudanças, os contratos com os clubes ficaram mais rigorosos. O GDF agora pode penalizar contratualmente os times e produtores que não honrarem os compromissos de segurança.
Mané olímpico
O Mané agora está sob responsabilidade do Comitê Olímpico até o final de agosto. O estádio já começou o preparação para a receber as partidas olímpicas. Salas de apoio, espaços para a imprensa nacional e internacional começarão a sair do papel. A seleção brasileira entrará no gramado brasiliense contra a África do Sul no dia 4 de agosto.
Domingo
A deputada federal Erika Kokay (PT-DF) considerou absurda a recente decisão de abertura dos comércios aos domingos, tomada pela Câmara Legislativa. Na avaliação da deputada, a mudança castigará os comerciários e não representará uma medida efetiva no combate ao desemprego. “Ao contrário representa uma extrapolação da jornada. Porque os comerciários representam uma categoria das que mais extrapolam a jornada constitucional de 44 horas semanais. Então, portanto o que nos vimos é que houve um aumento da extrapolação com a abertura aos domingos”, alertou Kokay em uma postagem no Facebook. A parlamentar considera que a medida foi adotada sem qualquer tipo de negociação ou garantia de compensação com os trabalhadores.
Posturas
“É um desrespeito com a categoria dos comerciários”, alfinetou. A parlamentar declarou que buscará reverter a decisão da Câmara e foi além. “Ao governador do Distrito Federal nós exigimos que tenha uma postura de carinho e de dialogo com os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras que serão feriados com a trabalho sem restrição ao domingo. E ao governador nós dizemos: Olha, vete esta aprovação”, sugeriu Kokay.
GDF analógico
O deputado federal Izalci Lucas (PSDB-DF) visitou o Posto de Saúde do Riacho Fundo I. Após algumas conversas, o parlamentar voltou a argumentar que o problema da rede pública é falta de gestão. “Todos os documentos são guardados em pastas. Tudo manual. A farmácia não tem controle algum. Se a pessoa chegar lá três vezes com a mesma receita, pega três vezes o mesmo remédio. O GDF está muito analógico. Mas é o que eu venho falando, o governo não tem projeto. É um governo de improviso”, criticou. Para o Tucano, este perfil tem gerado prejuízos para todas as áreas da máquina pública, afetando principalmente o setor produtivo.
Tá falado
“O GDF não tem projeto. Essa ideia, de contratar as Organizações Sociais (OSs), o Rodrigo está copiando de Goiás. Mas o DF é um pouco diferente. Aqui Saúde, Educação e Segurança tem que ficar com o Estado. Do jeito que ele quer, não vai dar certo. As organizações teriam espaço em atividades meio, jamais em atividade fim ”.
Deputado federal Izalci Lucas (PSDB), criticando o projeto de implantação de OSs na Saúde Pública.