Brasília

Gestão dos hospitais é um dos pontos mais polêmicos no DF

Por Arquivo Geral 12/11/2018 7h34
Rayra Paiva Franco/Jornal de Brasília

Francisco Dutra Raphaella Sconetto
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Na extensa lista de desafios na saúde pública para a próxima gestão do governo do Distrito Federal está o modelo de gestão dos hospitais, que esbarra na polêmica terceirização. Os últimos governos concederam a administração de duas unidades: o Hospital de Base, o maior da capital e que virou instituto; e o Hospital da Criança, que já nasceu com essa proposta. Enquanto alguns especialistas defendem que o modelo precisa ser replicado, para outros é preciso cautela.

“São portas fechadas. É preciso garantir uma rede de cuidado. É por isso que tem que se avaliar melhor essas experiências. Existe uma grande dificuldade de transparência nesses modelos. Essas unidades estão com uma gestão muito mais fechada, inclusive para os Conselho de Saúde”, levanta Graziele David, conselheira do Núcleo do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde do DF (Cebes-DF).

Para ela, é preciso uma avaliação da eficiência e da efetividade. “As promessas são muitas, mas ninguém está avaliando se realmente são cumpridas”, insinua.

O Hospital da Criança correu o risco de ter serviços afetados quando a prestação de contas foi contestada na Justiça. Já no Hospital de Base, a batalha é na contratação de pessoal: os processos seletivos também foram questionados nos tribunais.

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Já para Carla Pintas, especialista em saúde coletiva, a concessão da gestão é positiva. “É preciso repensar o modelo e levar o projeto do Instituto Hospital de Base para outras áreas. A gestão atual é muito mais transparente e efetiva. Tanto do ponto de vista do usuário quanto do profissional. Não falta insumo. É outra falácia querer acabar com o instituto, ele que trabalha com indicadores, com metas e com contrato de gestão”, contrapõe.

Promessas de Ibaneis

Sete páginas do plano de governo de Ibaneis são destinadas à Saúde. O governador eleito separou por tópicos que envolvem gestão, valorização, atenção primária, vigilância, epidemiológica, atendimento ambulatorial, laboratórios, UPAs, atenção hospitalar e alta complexidade. No quesito servidores, o emedebista pretende melhorar as condições de trabalho; promover uma capacitação continuada ; e dar uma remuneração justa.

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Em relação à gestão, Ibaneis descreve que irá planejar as despesas públicas para aumentar a qualidade; controlar os estoques para evitar desperdício; descentralizar a gestão e os recursos financeiros para cada regional de saúde.

Para a atenção primária, o plano aponta a ampliação da cobertura da rede, além da ampliação do horário de funcionamento das UBSs para até 20h. O novo governador também cita as equipes de saúde bucal. Ele promete a criação de policlínicas especializadas, além da criação de três centros de pediatria, cardiologia e radiologia. Para as Unidades de Pronto Atendimento, ele buscará parcerias com a iniciativa privada para atender a demanda.

Quanto ao atendimento hospitalar, Ibaneis pretende ampliar o número de leitos de UTI e o Programa de Internação Domiciliar.

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Saiba mais

Pouco falada, a saúde bucal também é indicada como um desafio, justamente por passar despercebida pelo governo. O Sindicato dos Odontologistas do DF estima um déficit de 400 dentistas na rede pública. Atualmente, há um profissional para cada 4,8 mil habitantes.

“Não chegamos a 600 dentistas. A carreira tem previsão de mil servidores. Mas é necessário fazer o devido reconhecimento: o governo Rollemberg contratou técnicos em higiene dental, aproximadamente 600”, analisa Jeovânia Rodrigues, presidente do sindicato. Além disso, há o problema com equipamentos. Cerca de 40% estão com defeito, quebrados ou esperando manutenção. “Sofremos com a falta de manutenção preventiva e corretiva. Isso prejudica o atendimento à população”, aponta.

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