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Brasília

GDF quer ampliar a Educação Integral

Arquivo Geral

15/08/2010 20h12

Todas as licitações para obras e reformas das escolas públicas incluem estruturas básicas para a implantação do projeto, que prevê a oferta de atividades pedagógicas para as crianças em dois turnos. Escolas onde o programa já foi implementado comemoram melhoria nos índices de aprendizado dos alunos

 

“As crianças precisam pegar o gosto pela leitura e é esse o momento. Estamos fazendo um trabalho lento, é um passo de formiga, mas aos poucos vamos conquistando as crianças.”Cleonice Pereira

Coordenadora de Educação Integral

A Educação Integral já faz parte da realidade de cerca de 40 mil alunos em 270 escolas divididas em todas as regionais de ensino. A ideia do Governo do Distrito Federal é preparar o caminho para que, em 2011, mais escolas tomem parte no programa, que prevê a oferta de atividades aos estudantes em dois períodos (turno e contraturno).

 

O secretário de Educação, Marcelo Aguiar, afirma que o governo vem preparando o terreno para que mais escolas adotem a iniciativa nos próximos anos. “Deixaremos preparado um planejamento para que esse programa possa ser ampliado. Esperamos essa posição do próximo governo”.

 

Segundo ele, todas as licitações para reformas ou obras nas escolas feitas atualmente preveem as estruturas básicas para a participação das instituições no programa, como refeitórios, cozinhas e depósitos para os alimentos. As ações visando à inclusão das escolas no programa também incluem a construção de novas salas de aula e a contratação de professores.

 

Além do aspecto estrutural, outra preocupação do programa Educação Integral é o planejamento pedagógico. Neste sentido, a Secretaria de Estado de Educação trabalha na elaboração de um plano de aula para os professores, que inclui atividades extracurriculares, com foco nas matérias que os alunos usam no dia a dia. “Algumas escolas já fazem isso espontaneamente, mas queremos que os professores possam ir para as salas com um planejamento pedagógico definido”, ressalta Aguiar.

 

Dentro da estratégia traçada pela Secretaria, o programa propõe a participação dos alunos além dos horários em que estão na sala de aula, participando de diversas atividades pedagógicas. O objetivo é fazer com que os estudantes realizem atividades que possam reforçar e favorecer a aprendizagem. De acordo com o secretário de Educação, a adoção do ensino integral nas escolas era uma diretriz presente já na inauguração de Brasília.

 

A educação integral foi implantada em todo o Distrito Federal e as escolas aderiram voluntariamente o programa. Segundo Aguiar, outro ponto considerado positivo é a possibilidade de os pais dos alunos poderem trabalhar despreocupados, sabendo que os filhos estão sendo bem cuidados na escola.

 

Passinhos de formiga

 

A professora Cleonice Pereira, coordenadora de Educação Integral, é responsável pelos 165 alunos da escola Classe 17, em Taguatinga. Os estudantes permanecem na instituição durante todo o dia. Chegam às 8h, almoçam ao meio-dia, retornam às atividades às 13h e voltam para casa às 17h.

 

Um dos projetos adotados pela a escola – e do qual a professora tem mais orgulho – é a inserção de literatura e arte no dia a dia dos alunos. A coordenadora acredita que esse tipo de incentivo é o que falta para a educação. “As crianças precisam pegar o gosto pela leitura e é esse o momento. Estamos fazendo um trabalho lento, é um passo de formiga, mas aos poucos vamos conquistando as crianças.” 

Os professores reúnem-se com frequência para avaliar o desempenho dos alunos. Segundo eles, de março – quando o programa foi adotado na escola – em diante já foi possível notar uma melhora nas notas das crianças.

 

Na escola Classe 17, a educação integral é apenas para os alunos da 4ª série. Os estudantes têm diversas atividades pedagógicas, que envolvem as disciplinas de literatura, arte, geometria, matemática, português e inglês (básico), que não existe na grade de estudo dos alunos. Além disso, as crianças fazem as tarefas de casa, participam de jogos de mesa que estimulam a inteligência e concentração, podem ler na biblioteca e praticar atividades físicas como futebol e queimada.

 

Segundo a coordenadora do projeto, todas as atividades são programadas, mas a intenção é que o aluno aprenda de uma forma mais descontraída e que possa pegar gosto pelo aprendizado sem nem perceber. “A maioria dos pais dos alunos tem a consciência do quanto esse trabalho é importante e ajuda no crescimento dessas crianças”, afirma. “Todo bom trabalho é reconhecido, por isso temos que persistir.”

 

Reforço no contraturno

 

A estudante Bruna Barbosa, 10 anos, ainda tem dúvida sobre a profissão que pretende seguir quando crescer, mas já demonstra paixão pela leitura. Ela conta que se diverte nas horas que passa na escola e consegue tirar proveito mesmo das aulas que considera mais chatas. Bruna conta que já leu vários livros neste ano, diferentemente do ano passado, quando não leu nenhum. “Podemos pegar livros aqui na biblioteca, temos uma semana para ler.”

 

A menina confessa que o que mais gosta na escola é a companhia dos amigos e professores e garante que as suas notas melhoraram porque neste ano ela têm reforço nas matérias nas quais têm mais dificuldade. “Faço os deveres de casa aqui na escola, com a ajuda das professoras. Posso tirar todas as dúvidas”, garante.

 

A mãe de Bruna, Olga Miranda, 51 anos, afirma que o desempenho da filha tem melhorado. A prova disso são as notas no boletim. Olga conta que partiu de Bruna a vontade de ficar em tempo integral na escola. “Eu não trabalho fora e posso ficar com ela no período da tarde, mas ela prefere ir para a escola aprender e encontrar com os amigos”, diz.

 

A cozinheira Maria Sônia, 45 anos, é mãe de Giulliana Lethícia de 10 anos. A trabalhadora conta que fica fora o dia todo e que, antes, a estudante ficava sozinha em casa. “Trabalhava com essa preocupação, porque ela ainda é muito nova, mas eu não tinha como ficar em casa para cuidar dela”, explica.

 

A menina que também é aluna da escola Classe 17, conta com satisfação as atividades que prática durante o tempo que fica na instituição. “Eu adoro o dia que tem aula de educação física, é a minha preferida.”

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