Gabriel de Sousa
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Uma nova pesquisa realizada por acadêmicos da Universidade de Brasília (UnB) analisou as despesas do Governo do Distrito Federal (GDF) no setor privado, e revelou que a administração governamental tende a comprar mais de empresas que estão localizadas na própria capital.
A pesquisa foi feita pelo projeto “Observatório de Políticas Públicas do Distrito Federal (Observa/DF), que avaliou o papel do GDF como consumidor de bens e serviços por meio do mapeamento das compras públicas e contratação de serviços entre os anos de 2016 e 2020. Neste período, foram gastos anualmente uma média de R$ 5,66 bilhões, o que representou um percentual aproximado de 82% das despesas no setor privado do DF.
O estudo também traçou o perfil de consumo do GDF e identificou como ele pode fomentar a economia local por meio de seus gastos e investimentos. De acordo com o professor da UnB, Frederico Bertholini, que também é um dos pesquisadores do ObservaDF, os resultados foram obtidos a partir de análises sobre as empresas que receberam recursos da administração governamental.
“Nós olhamos para a distribuição. Vimos quais são as empresas do setor privado que recebem recursos do GDF, onde estão localizadas, quais as principais funções do governo associadas a essas compras, e por fim tentamos identificar o efeito dos recursos do governo distrital na variação dos vínculos de trabalho”, explica.
Os resultados das análises indicaram também que, entre 2016 e 2020, as despesas do GDF com o setor privado foram, em média, de R$ 6,89 bilhões ao ano, o que representou, aproximadamente, 23% da despesa total do governo local. “Com o estudo, foi possível identificar que o GDF tende a comprar mais de empresas privadas localizadas na própria capital, sendo a maior parte dos recursos do governo destinado ao pagamento de credores do próprio DF”, disse Bertholini.
Recursos protegeram empresas no início da pandemia
O relatório final da pesquisa mostrou que as empresas que receberam recursos do GDF são, em média, mais antigas e possuem mais empregados. O setor de construções são os que possuem uma maior disparidade entre as demais, enquanto que o ramo comercial apresenta diferenças menores.
Segundo Bertholini, um efeito positivo para a economia local aconteceu entre 2019 e 2020, durante o início da pandemia. Neste período, os recursos governamentais do GDF teriam funcionado como uma espécie de “colchão de proteção” para as empresas privadas e aos empregos que são geradas pelas mesmas.
O estudo do ObservaDF mostrou que a maior concentração de empresas contratadas pelo GDF está no Plano Piloto, além de também estarem presentes em Taguatinga, Ceilândia, Guará e Samambaia. Há também uma pequena parcela no Gama, Sobradinho e em Brazlândia e Planaltina.
Recursos incentivam a economia local
Em uma entrevista exclusiva para a equipe de reportagem do Jornal de Brasília, o economista Cesar Bergo avaliou que a pesquisa da UnB mostra o que o governo distrital prioriza a proteção do setor privado local, fato que os economistas já acreditam existir de forma teórica.
“Os governos estaduais tendem a proteger as próprias empresas localizadas em seu território. Isso não quer dizer que a empresa seja genuinamente do território, pode ser uma filial de outra empresa localizada em outro estado, mas que é especializada na prestação de serviços ao governo”, explica Bergo.
Segundo o economista, grande parte dos recursos do GDF são destinados para serviços de infraestrutura e suporte urbano. Além disso, Cesar conta que o governo prioriza realizar estas demandas no próprio território por questões de mobilidade e rentabilidade: “Fica mais fácil você fazer contratações de pessoas para trabalhar no próprio estado, e sai mais barato, inclusive.”
Para o economista, a destinação de recursos para empresas privadas do DF produz “um grande ganho” para a manutenção econômica e o funcionamento das atividades no Distrito Federal. “É importante porque o governo acaba, de alguma forma, incentivando a própria economia local, gerando mais impostos”, explica.