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GDF da um “gás” no orçamento familiar

Cartão Gás garantirá botijão no valor de R$ 100,00 a cada 2 meses por um ano e meio. Com aumento no preço do botijão a ajuda vem em boa hora

Por Mayra Dias 05/08/2021 5h49
Foto: Pedro Ventura/ Agência Brasília

Auxílio de R$ 100,00 a 70 mil famílias. É isso que o Projeto de Lei do Executivo, intitulado Cartão Gás, propõe. Aprovado nesta quarta-feira pela Câmara Legislativa, o benefício visa garantir aos brasilienses de baixa renda o acesso a um botijão de gás de 13 kg a cada dois meses. Devido ao aumento do preço do item, em um momento onde muitas famílias vivenciam o desemprego, deixar de comer ou reduzir as refeições diárias foi a única solução encontrada por muitas pessoas. “Esse projeto é muito importante e funciona, de certa forma, como um auxílio emergencial. São famílias que precisam”, avalia o presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon DF), César Bergo.

O texto foi aprovado em plenário, em caráter de urgência, tendo 18 votos favoráveis. Agora, o PL aguarda sanção do governador Ibaneis Rocha (MDB). A ideia tem como objetivo promover o acesso ao benefício às famílias que estão com a inscrição atualizada no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal como o Sem Miséria e o Bolsa Família. Para receber o benefício, também é necessário ter renda familiar per capita de até meio salário mínimo, morar no DF, não se encontrar em situação de rua e o responsável pela família ter mais de 16 anos. Com isto provado, o valor passará a ser pago a cada dois meses, por um ano e meio, para compra de botijões de gás GLP.

“O benefício vem para reforçar a renda da população mais vulnerável. Todo esse esforço mostra o compromisso do governo, principalmente nesta pandemia, com a população”, defende a secretária de Desenvolvimento Social, Mayara Noronha Rocha. De acordo com a proposta, a pasta, que cuida dos programas sociais da capital federal, será responsável pela gestão do cartão, assim como o Banco de Brasília (BRB) estará a cargo do pagamento do benefício. Dependendo da disponibilidade, a ideia, a princípio, é que o auxílio seja financiado por recursos do Tesouro local.

Efeito pandemia

Para César Bergo, a proposta chegou na hora certa e, se aprovada, será uma ação de muita valia às famílias que, devido a crise, o desemprego e o aumento dos preços de diversos itens do mercado, se vêem de mãos atadas. “Do ponto de vista social, ajudar as pessoas que precisam, principalmente em um momento onde a inflação está descontrolada, é essencial. As pessoas não conseguem proteger a sua renda e, para elas, que não tem outra fonte de recurso, qualquer valor é bem-vindo”, acredita o economista.

Presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon DF), César Bergo.

Quem também sentiu os efeitos econômicos da pandemia e acredita que será favorecido de maneira indireta pelo Cartão, são os empresários do setor de distribuição do gás de cozinha. Dono de uma distribuidora na Asa Norte, Fábio Júnior relata que, desde o início da pandemia, sentiu uma redução nas vendas do insumo, todavia, nos últimos meses, essa queda foi ainda mais notória. “Desde o início da pandemia, onde muita gente ficou desempregada e os preços de muitas coisas aumentaram, as vendas do gás de cozinha caíram. Muitas pessoas ficaram sem comer ou reduziram a quantidade de refeições por causa disso”, desenvolve o empresário. Com a aprovação do PL, contudo, Fábio diz estar animado e espera um retorno positivo. “Se esse benefício sair, as vendas vão aumentar, pois agora elas terão condições de comprar”, completou.

As expectativas de Fábio Júnior, partindo do ponto de vista econômico, não estão erradas. Conforme esclarece o presidente da Corecon DF, o Cartão Gás será positivo tanto para as famílias quanto para os donos de distribuidoras. “A pessoa que trabalha com isso é beneficiada devido a fidelidade do cliente. O projeto vai aumentar o número de compradores e de vendas. Além disso, o vendedor ganha em escala, ou seja, quanto mais ele vender, melhor sua margem de lucro”, explica César.

Também defensor da perspectiva, o secretário de Economia, André Clemente, reforça que o auxílio é uma forma de proteção alimentar e de produção. “Muitas famílias recebem os alimentos, mas não têm como cozinhá-los. O recurso vai para o social mas beneficia também o setor produtivo. Com essa medida, os revendedores de Brasília vão voltar a vender o gás conforme vendiam antes”, afirma o gestor.

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Segundo o GDF, se a proposta passar a vigorar, as famílias poderão comprar os botijões em estabelecimentos cadastrados e fiscalizados pela Secretaria de Economia do DF (SEC-DF). Além disso, o Executivo também destacou que, pretendendo a inserção no mercado de trabalho, os inscritos poderão ser cadastrados em programas de capacitação.

Influências externas

De acordo com César Bergo, diversos fatores estão associados ao aumento do preço do gás de cozinha que, em alguns locais, já chegou aos R$ 100,00. “Questões como a crise hídrica, o preço internacional do petróleo, o aumento do dólar (moeda cuja a maioria dos contratos de compra do insumo são cotados) e a monopolização do gás por parte de algumas empresas, estão impactando diretamente esse cenário”, pontua. Isso porque, conforme o especialista explica, a falta d`água, assim como o aumento do preço do petróleo, aumentaram a demanda pelo gás.

Diante disso, o profissional lamenta que não há muito o que ser feito pelo cidadão além de economizar e aguardar a melhora da situação. Como dica, César cita a importância de fazer boas escolhas na hora de preparar as refeições e, sempre que possível, optar pela distribuidora que estiver ofertando o item pelo menor preço. “No momento é necessário racionalidade. A duração do gás irá depender, somente, da forma e da quantidade de vezes que for usado. Opte por fazer alimentos que consumam menos energia, que levam menos tempo para ficarem prontos e claro, pesquisem preços. Por mais que a diferença do valor entre os fornecedores seja pouca, já é uma economia”, finalizou.

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