Gabriel de Sousa
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O governador Ibaneis Rocha (MDB) anunciou, no último sábado (14), o início da vacinação contra o covid-19 para os jovens de 18 e 19 anos sem comorbidades a partir desta terça-feira (17). Na última semana, a população de 20 a 30 anos pode comparecer aos postos de saúde do Distrito Federal para receber a primeira dose dos imunizantes.
Segundo dados obtidos na Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), em apenas 3 dias, os profissionais da saúde vacinaram aproximadamente 5% da sua população com a primeira dose das vacinas. Na quarta-feira, o DF tinha vacinado 52,92% da sua população e estava no sexto lugar do ranking de vacinação nacional. No sábado, o DF estava na terceira posição com 57,85%.
Com o anúncio da vacinação da última parcela da população adulta feita pelo governo distrital, a expectativa é que a capital se torne a segunda unidade federativa que mais imunizou a sua população com a primeira dose ainda nesta semana, ultrapassando o Rio Grande do Sul que imunizou 59,85% dos gaúchos até o último sábado (14).
Para Laís Cirilo, de 18 anos, estudante de biblioteconomia na Universidade de Brasília (UnB), a sua imunização será o início do término de uma longa rotina de estudos dentro da sua casa no Sudoeste. “Estou na torcida para que volte presencialmente as aulas presenciais. A maioria dos meus planos para quando a pandemia acabar é aproveitar a minha vida acadêmica, como por exemplo viver a UnB presencialmente”, conta.

Quando a pandemia se iniciou no Distrito Federal, Laís era apenas uma adolescente de 17 anos. Agora, a jovem será vacinada com dois meses antes do seu 19º aniversário, em outubro deste ano: “É uma sensação muito boa porque achei que não iria me vacinar neste ano”
Para a estudante, o sentimento atual é de euforia e animação, depois de uma longa espera por uma imunização. Laís se infectou com covid-19 em julho, mesmo se resguardando em seu apartamento durante os dias. “Eu acho que o DF está no mesmo ritmo que os outros estados, onde a maioria dos estados começaram a vacinar os jovens de 18 na semana passada ou no início desta semana. Mas no geral, eu acho que demorou um pouco apesar de estar lá em cima do ranking de vacinação. Mas o GDF conseguiu ser rápido no momento que tinha que ser rápido”, afirma a estudante.
A expectativa para a volta às aulas é compartilhada também por outros estudantes da UnB. A estudante de serviço social Isadora de Araújo, de 19 anos, acha que as aulas da instituição podem retornar no início de 2022: “A volta tem que ser com mais calma, acredito que em um sistema híbrido, um plano assim seria possível”.
Para a universitária, o fato dos jovens de 18 e 19 anos serem economicamente ativos reforça a importância da ampliação da vacinação para essa parcela da população. “A gente está muito exposto ao vírus, na rua e no trabalho e é muito importante nos imunizar”

Isadora, que pretende se vacinar em Taguatinga, reforça a importância do reconhecimento dos profissionais da saúde que durante um ano e meio se arriscaram no combate à doença e agora passam os dias focados em imunizar a população do Distrito Federal: “A gente vê que são os enfermeiros que estão ali na linha de frente, não só contra o coronavírus, mas também sobre a saúde da comunidade inteira.”
A ampliação da imunização chegou na hora certa para o estudante Leonardo Sampaio, de 19 anos, que irá iniciar os seus estudos no curso de psicologia do Centro Universitário do Distrito Federal (UDF) na próxima semana. O estudante conta que passou o período entre o fim do ensino básico e a preparação para o vestibular dentro de casa, por conta da pandemia.
“Foi um período muito estressante porque eu tinha acabado de sair do ensino médio onde eu ía à rua, e de repente estávamos trancados em casa para ter contenção do vírus”, afirma.
O jovem é filho de pais divorciados, atualmente, ele mora com a mãe e o pai reside sozinho em outra residência: “A gente ficou com muito medo da solidão que a pandemia proporcionou para ele, porque ele era uma pessoa muito comunicativa e gostava muito de conversar.”
Com a vacinação, uma das principais esperanças do jovem é a de poder retornar a ter o antigo contato físico como forma de demonstrar carinho com as outras pessoas. “Gostaria de voltar a não usar máscara, a conseguir cumprimentar as pessoas sem medo de transmitir alguma doença à elas ou estar sendo infectado”, conta o futuro psicólogo.
O jovem possui déficits de atenção e diz que o período de estudos virtuais eram bastante prejudiciais ao seu aprendizado, com a imunização e o futuro fim da pandemia, ele espera poder voltar a estudar dentro das salas de aula: “Eu sinto que vou aprender bem mais, eu sei que vou poder aproveitar 100% do professor. Eu estou bem ansioso para o início das aulas presenciais na UDF.” Porém, segundo Leonardo, apesar das aplicações das doses dos imunizantes ao longo do ano, o atual semestre da universidade ainda terá a adoção do ensino à distância. Porém, o estudante se mantém confiante para poder realizar o seu sonho em 2022.