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Ficar de fora seria muito injusto, diz garota de 15 anos que pediu ao STF para votar

Estudante do DF entrou com mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal pedindo autorização para votar em eventual segundo turno

Por FolhaPress 12/05/2022 1h02
e-Título é um aplicativo móvel para obtenção da via digital do título de eleitor

Fábio Zanini
São Paulo, SP

Estudante em Ceilândia, no Distrito Federal, Elena Soares de Jesus olhou o calendário da eleição e fez as contas: não terá a idade mínima de 16 anos para votar no primeiro turno, em 2 de outubro, mas sim no segundo, em 30 do mesmo mês. Ela faz aniversário em 19 de outubro.

Interessada em política desde cedo, pediu ao pai, o bombeiro aposentado Erivelton de Jesus Almeida, 46, que entrasse no site da Justiça Eleitoral para tirar seu título de eleitor. Na hora de preencher a data de nascimento, no entanto, o sistema refugou.

“É muito injusto. Não posso ficar de fora. Uma vez que eu desejo, não posso ser impedida, não estou fazendo nada de errado”, diz ela.

A solução encontrada foi entrar com uma mandado de segurança no STF (Supremo Tribunal Federal) pedindo autorização para participar de um eventual segundo turno da eleição. Ela pretende votar em Jair Bolsonaro (PL).

“Quatro anos é pouco tempo para alguém defender as suas ideias. Não vejo motivo para escolher um novo líder”, afirma.

A lei eleitoral não prevê a possibilidade de votar apenas no segundo turno e, por isso, uma decisão judicial favorável poderá estabelecer um precedente para casos semelhantes.

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O caso foi distribuído para o ministro Gilmar Mendes, que na última quarta-feira (11) não conheceu o mandado. Em outras palavras, recusou-o por questões processuais, dizendo que deveria ser endereçado ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o que o advogado da garota agora pretende fazer.

Elena estuda no Instituto Marechal Mallet, uma escola particular “militarizada” de Ceilândia Norte, onde cursa o primeiro ano do ensino médio.

Por esse modelo, também chamado de “escola cívico-militar”, militares reformados atuam como monitores na parte disciplinar e nas rotinas escolares, que se assemelham às de um quartel. Há hasteamento da bandeira e os alunos usam uniformes semelhantes a fardas. Os professores, no entanto, são civis.

Ela pretende seguir a mesma carreira do pai, que é admirador de Bolsonaro e estimulou sua participação na política.

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“Eu estou preocupado com o futuro do país, com o futuro dela. A gente tem medo que um dia o Lula volte ao cargo de presidente”, afirma Erivelton.

Elena diz que, além da influência do pai, teve vontade de votar a partir de conversas com colegas de sua escola, muitos dos quais já terão 16 anos em outubro.

“As pessoas na sala de aula comentam muito sobre política, sobre o primeiro voto, a escolha de um novo líder para o país, a preocupação com os rumos do Brasil”, diz.

A família mora em uma região de classe média em Ceilândia, uma das principais cidades-satélite de Brasília, localizada a cerca de 40 km da praça dos Três Poderes. A mãe é professora, e Elena tem ainda um irmão de 11 anos.

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Ela afirma ter acompanhado a movimentação nas redes sociais para que jovens tirassem o título de eleitor e pudessem votar, mas ressalta que não foi especialmente influenciado pelos apelos de artistas como Anitta e Leonardo DiCaprio.

“Quero votar porque sei que é importante para o meu futuro”, diz. Na faixa etária de 16 e 17 anos, o voto é facultativo.

No período de janeiro a abril deste ano, de acordo com o TSE, mais de 2 milhões de jovens eleitores tiraram o título, um aumento de 47% neste segmento com relação à eleição de 2018.

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O pai de Elena diz que o interesse da filha pela política tem origem no fato de que o assunto sempre esteve presente no dia a dia da família. Ele foi candidato a deputado federal em 2014 pelo PSDC, mas não conseguiu se eleger.

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“A gente acompanha muito as notícias pela internet e pela TV. Como ela vê que eu sou muito engajado, acaba acompanhando também”, afirma.

A garota diz que se informa como muitos dos jovens de sua idade, por aplicativos como WhatsApp e Telegram, mas diz que também lê jornal e assiste ao noticiário televisivo.

Caso seu pedido seja rejeitado pela Justiça, Elena terá de esperar até 2026 para poder votar, já que no Distrito Federal não há eleições municipais. Terá então quase 20 anos de idade no primeiro turno. “Quero ter essa oportunidade antes”, diz.








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