Capacitação é uma das palavras chave da Copa do Mundo de 2014. Cidade sede, e também candidata à abertura do Mundial, Brasília já está se profissionalizando para receber turistas e fanáticos por futebol. Agentes de turismo, artesãos, garçons, motoristas, alunos de escolas públicas, todos passam por treinamento intensivo para recepcionar os visitantes. O Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial do Distrito Federal (Senac-DF), por exemplo, pretende capacitar mais de 16 mil pessoas dentro do projeto “Senac na Copa” e fechou parcerias que levarão à criação de ambientes como lanchonetes, cafés e restaurantes-escola.
Todos os estabelecimentos têm como foco o desenvolvimento de atividades relacionadas à educação profissional. Entre os diversos cursos oferecidos pela instituição, muitos são nas áreas de hotelaria e gastronomia, consideradas essenciais.
As “empresas pedagógicas de gastronomia” do Senac já funcionam em forma de restaurante-escola e lanchonete na Controladoria Geral da União (CGU). Juntos os espaços atendem a 500 pessoas por dia e têm como objetivo treinar alunos com prática supervisionada. “Queremos que as melhorias feitas para a Copa sejam um atrativo a mais para que os turistas continuem visitando a Capital Federal”, destaca o presidente do Senac, Adelmir Santana.
O sucesso da iniciativa motivou o Senac-DF a ampliar sua atuação e fechar mais parcerias. Estão em processo de conclusão um restaurante-escola e um café no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ), um restaurante e uma lanchonete-escola no Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), uma lanchonete e um restaurante-escola na Procuradoria Regional da República da 1ª Região (PRR) e um restaurante-escola no Senado Federal.
EM PONTOS ESTRATÉGICOS
Outra boa notícia é que a primeira turma da Central de Atendimento ao Turista (CAT) da Secretaria de Turismo do Distrito Federal já está formada. São 30 novos profissionais que hoje trabalham em pontos estratégicos de Brasília, como o Aeroporto JK, Praça dos Três Poderes e Rodoviária Interestadual.
Recrutados entre estudantes universitários de várias formações, profissionais liberais e, principalmente, de turismo, os participantes tiveram 102 horas/aula com treinamento intensivo sobre a arte de receber bem: foram 68 horas práticas e 34 teóricas. No programa, foram destacados temas como aparência pessoal e postura profissional, turismo LGBT, além de práticas inclusivas para idosos e pessoas com deficiência.
“Vocês são o nosso cartão de visita e os primeiros amigos e ponto de referência dos visitantes que chegam e que chegarão a Brasília. Somos pioneiros neste treinamento e estou muito orgulhoso da primeira turma”, elogia o secretário de Turismo, Luis Otávio Neves.
Já o secretário de Esporte, Célio René Trindade, lembra que, além da Copa do Mundo de 2014, três outros grandes eventos esportivos passarão por Brasília até o ano de 2016 – a Copa das Confederações em 2013, a Copa América de 2015 e os jogos de futebol das Olimpíadas de 2016. Além disso, o governador Agnelo Queiroz está na China, formalizando a candidatura de Brasília para sediar, em 2017, o terceiro maior evento esportivo do mundo: os jogos universitários, Universíades. Segundo Célio René Trindade, a formação da primeira turma da Central de Atendimento ao Turista é fundamental para destacar o preparo e o pioneirismo do Distrito Federal em treinamento de receptivo.
Para trabalhar nos CATs, a diretora de Serviços de Atendimento ao Turismo da Setur, Eliane Brasil, buscou profissionais que já atuavam na área e, claro, fossem carismáticos e tivessem fluência em alguma língua estrangeira. Dos 30 profissionais capacitados, há quem fale, além dos tradicionais espanhol e inglês, também os idiomas francês, alemão e até russo. A faixa etária vai dos 19 aos 60 anos. Ligia Weber, 25; Monique Carvalho, 29; e Karina Marques, 39 anos, fazem parte da turma e não vêem a hora de a Copa de 2014 chegar. “Estamos prontíssimas para mudar muitas mentalidades, principalmente a de que em Brasília não há turismo”, comemoram.
Outros que também estão muito ansiosos são os alunos do Centro Interescolar de Línguas (CIL), que fazem parte do projeto “Um Gol de Educação”, uma parceria entre as secretarias de Educação e de Esporte. A iniciativa busca formar nos próximos quatro anos estudantes do ensino médio para atuar como voluntários na recepção das delegações de atletas estrangeiros. Por isso, além de aulas de línguas, eles são treinados sobre as regras de diversos esportes e o cerimonial dos eventos esportivos. A primeira “aula prática” da turma aconteceu durante a Copa Internacional de Vôlei, realizada no mês passado no ginásio Nilson Nelson, quando os alunos participaram do receptivo das delegações do Peru, da Itália e do Japão.
Participam do projeto alunos matriculados nos níveis básicos dos cursos de inglês, francês e espanhol em uma das oito escolas públicas de línguas do DF. O projeto oferece ainda aulas de geografia, história, cultura e costumes para que os alunos não fiquem apenas no âmbito formal, mas possam conversar sobre diversos temas que englobam a língua estudada.
EMPRESÁRIOS
A realização da Copa do Mundo em Brasília deve gerar para às micro e pequena empresas do Distrito Federal mais de 600 possibilidades de negócios, de acordo com o mapeamento de oportunidades do Sebrae feito pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O Mapa traz chances de negócios nos setores de construção civil, tecnologia da informação, madeira e móveis, têxtil e vestuário, turismo, produção associada ao turismo, comércio varejista, agronegócio e serviços. Também aponta as dificuldades relacionadas à documentação geral e específica, gestão e sustentabilidade que podem impedir os pequenos empreendimentos de aproveitá-las.
“O Sebrae enxerga oportunidades com duas abordagens: de negócios e de desenvolvimento empresarial. Nosso objetivo é dar suporte para os empreendedores se prepararem e conseguirem, de fato, fazer negócios”, explica a gerente da Unidade de Atendimento Coletivo de Serviço do Sebrae no DF, Aparecida Vieira.
Das empresas estabelecidas hoje no Distrito Federal, 98% são micro e pequena empresas. O GDF está fazendo a sua parte para desenvolvê-las e, consequentemente, impulsionar a economia local. Na última segunda-feira (8/8), por exemplo, o governador Agnelo Queiroz sancionou lei que oferece tratamento diferenciado, e simplificado, para esses estabelecimentos e também para os empreendedores individuais.
Na mesma oportunidade, o governador assinou termo de cooperação técnica e operacional com o Sebrae-DF para capacitar mais de 500 gestores públicos. O objetivo é fazer com que esses gestores conheçam profundamente os benefícios da nova lei, além de prepará-los para o atendimento favorecido, diferenciado e simplificado que ela concede às 92 mil microempresas e empresas de pequeno porte do DF.
“Queremos que, na Copa do Mundo de 2014, a micro e a pequena empresa na cidade seja uma referência de qualidade no atendimento e na prestação dos serviços”, resume o secretário da Micro e Pequena Empresa e Economia Solidária, Dirsomar Ferreira Chaves.