
Os números que materializam a realidade de crise do Governo do Distrito Federal e os planos para um futuro que se desenha promissor foram apresentados pelo secretário da Casa Civil, Hélio Doyle, ontem, no primeiro evento do projeto Visão Capital, uma iniciativa do Jornal de Brasília para integrar empresariado e governo e discutir o desenvolvimento da economia local. Entre as iniciativas apresentadas pelo secretário, chama a atenção o objetivo de fortalecer a Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap).
Para superar o que chamou de “incapacidade de investimentos”, Doyle diz que é preciso mudar a cultura da empresa pública. “A Terracap, sem perder as características atuais, de vendedora de lotes, pode tornar-se, também, empreendedora, associar-se à iniciativa privada em empreendimentos com o capital que ela tem, que é a terra”, disse o chefe da Casa Civil a mais de 100 empresários de diversos segmentos, que se reuniram no Centro Internacional de Convenções de Brasilia, para almoçar e discutir o futuro da economia do DF.
Dar ênfase às indústrias e serviços, baseadas em tecnologia de ponta; desenvolver o turismo; trabalhar financiamentos internos e externos; estabelecer parcerias público-privadas e fazer concessões públicas estão entre os planos da gestão de Rodrigo Rollemberg, de acordo com o secretário, para promover o desenvolvimento do DF.
Arrumar a casa
Para Doyle, Brasília tem “vocação nítida” para o turismo. Para investir nesse segmento, cujo desenvolvimento reflete em benefício dos próprios moradores, é necessário preparar a cidade para receber os turistas.
“É preciso criar a mentalidade do turismo. Brasília quer ser uma cidade para atrair turistas”, disse, citando que é preciso “arrumar a casa”, melhorando os serviços de transporte, gastronomia, rede hoteleira, além de urbanizar o centro.
O Visão Capital terá encontros mensais e a próxima edição, marcada para 3 de junho, terá como palestrante o governador de Goiás, Marconi Perillo.
Números mostram crise
Durante cerca de 50 minutos, Hélio Doyle mostrou os números que norteiam a atual administração, citando a crise financeira pela qual passa todo o País e as dívidas deixadas pelo ex-governador Agnelo Queiroz, que devem resultar em um provável déficit de R$ 5,8 bilhões, ao fim deste ano. “O quadro é realmente grave”, repetiu.
Após mostrar a situação encontrada pelo novo governo e apresentar o planejamento para ampliar os investimentos, Doyle ouviu as colocações do empresariado, que reclamou, principalmente, da demora na análise de projetos apresentados ao governo.
O representante do governo acolheu as colocações dos empresários e reconheceu as deficiências ainda existentes na atual gestão. E explicou que um dos principais objetivos é reduzir a burocracia, para, principalmente, combater a corrupção.
Agilidade
Presidente da Associação de Empresas do Mercado Imobiliário do DF (Ademi-DF), Paulo Muniz conclamou o setor produtivo e o governo a fazerem um “pacto pela governabilidade”. Citou o mercado imobiliário e criticou a falta de objetividade na aprovação de projetos, principalmente com relação ao Relatório de Impacto de Trânsito (RIT). “Estamos dispostos a trabalhar em conjunto e apostamos no sucesso desse governo”, afirmou.
Para aumentar a base de arrecadação do Distrito Federal, Muniz sugeriu que o governo acelere a regularização de imóveis.
Planejamento
O diretor do Jornal de Brasília, Marcos Lombardi, destacou, em sua fala, que o governo precisa priorizar o desenvolvimento no planejamento. “Não adianta só planejar, sem saber do que o mercado precisa. O governo tem de escutar a sociedade”.
A iniciativa privada, nas palavras de Lombardi, também deve “arregaçar as mangas” para ajudar, neste momento, a mudar a situação do Distrito Federal.
Expectativa de superar a crise
Ao abrir o evento, o diretor-superintendente do Jornal de Brasília, Renato Matsunaga, ressaltou a importância de se discutir o desenvolvimento da capital. Ao citar “a maior crise que Brasília já viu”, exaltou as boas intenções de Rodrigo Rollemberg. “Diante de tantos desencontros, o governo assumiu e tem mostrado responsabilidade, com uma equipe técnica e de pessoas sérias e bem intencionadas”, discursou Matsunaga.
Para fazer as mudanças que Brasília necessita, é preciso discutir os problemas em conjunto, na opinião do diretor-superintendente. Ele exaltou a importância da integração entre governo e empresariado, para que a cidade possa andar.
Em seu discurso, Renato Matsunaga disse que os empresários entendem que a atual gestão encontrou problemas financeiros graves, mas vive a ansiedade de receber os pagamentos deixados para trás pelo ex-governador Agnelo.
Apreensão
“Todos estamos apreensivos e esperamos que o atual governo seja realmente capaz de resolver essa situação. Eu acho que Brasília tem boas expectativas para isso, nós acreditamos que o governo está no caminho certo”, destacou, afirmando que, para isso, “basta virar a página” e construir uma história diferente. “Uma história da Geração Brasília e das pessoas que têm compromisso com a cidade”.
Elogios
O formato do debate foi elogiado pelos empresários e pelo palestrante. Antes de se apresentar, Hélio Doyle destacou que a iniciativa é bastante positiva, ao dar oportunidade para o governo expor e debater a situação do DF. “O País todo está passando por momento difícil e a gente precisa encontrar saídas. Uma maneira de fazer isso é ouvindo as pessoas e debatendo”, destacou.
O diretor-executivo da Escola de Governo do DF (Egov), José Wilson Granjeiro disse que aprendeu bastante com o evento, “como educador, empreendedor e gestor público”. Elogiou o formato do debate e as “intervenções inteligentes”.