Uma operação iniciada há cinco meses colocou ponto final à agonia do Instituto do Coração (Incor) do DF, recipe que nos últimos dois anos andava com a saúde financeira abalada e ameaçava fechar as portas em Brasília. A (FUC), instituição com 42 anos de experiência, assumiu nesta quarta-feira (4) a gestão do instituto até então administrado pela Fundação Zerbini, de São Paulo. A partir de agora, o hospital passa a se chamar Instituto Cardiológico de Brasília.
A nova gestão é resultado de um convênio entre o GDF, o Senado Federal, a Câmara dos Deputados e os ministérios da Defesa e da Saúde. ”Estamos hoje celebrando a transferência, mas, sobretudo, a continuidade do Incor-DF. Se o instituto fechasse seria a maior derrota de Brasília e o pior exemplo de má utilização do dinheiro público”, afirmou o governador Arruda. O GDF vai injetar R$ 7 milhões na unidade durante o processo de transição, previsto para durar dois meses. A meta é chegar ao final do ano com a realização média de cem cirurgias cardíacas por mês.
A ideia da FUC é implantar em Brasília um modelo semelhante ao que existe em Porto Alegre (RS), baseado no ensino, na pesquisa e na boa assistência médica. “O objetivo é aumentar o número de pacientes atendidos, sempre mantendo o princípio da assistência para todos, independentemente da condição social”, afirmou Ivo Nesralla, presidente da FUC. “E fazer com que o nosso trabalho produza dinheiro suficiente para manter o hospital aberto e funcionando para todos. Esse é o segredo”, completou.
Um dos principais articuladores da vinda da FUC para o DF, o ministro da Defesa Nelson Jobim lembrou os esforços do Senado Federal e da Câmara dos Deputados que, juntamente com o GDF, investiram R$ 200 milhões na implantação do Incor no DF, em novembro de 2004. “Valeram os esforços. É uma unidade altamente especializada nas complexas atividades da Cardiologia e consolida Brasília como um grande centro médico, com reflexos para a sua população e de toda a região”, avaliou.
O acordo costurado nos últimos meses prevê a manutenção do corpo de servidores do hospital, que deverá atender pacientes da rede pública. No caso de Porto Alegre, 70% dos atendimentos são do Sistema Único de Saúde.