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Frutas em alta no mercado

R$ 34 milhões vão ser aplicados em capacitação e distribuição de novos equipamentos

Foto: Tony Winston/ Agência Brasília

Elisa Costa
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Governo federal anunciou o investimento de R$ 34 milhões na Fruticultura do Distrito Federal e Entorno, destinado principalmente à Região Integrada de Desenvolvimento Econômico do Distrito Federal (Ride-DF). A decisão veio do presidente Jair Bolsonaro e do ministro do Desenvolvimento Regional (MBR), Rogério Marinho.

O anúncio foi dado no 1º Fórum da Rota da Fruticultura da Ride-DF, em Brasília, onde Rogério Marinho destacou que a ação tem o intuito de capacitar os produtores e distribuir novos equipamentos de trabalho. A primeira etapa traz recursos da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) – parceira do MBR – que disponibilizará R$ 10,5 milhões em equipamentos para a capital, os quais incluem caminhões leves, câmaras frias, microtratores, tratores tradicionais, irrigação localizada e implementos agrícolas.

Durante o fórum, o presidente da República, Jair Bolsonaro comentou que a fruticultura tem se desenvolvido no Brasil, porém não com a força esperada pelo governo. Ele afirmou que as iniciativas são bem-vindas e que a economia brasileira “não pode e não vai parar”. A Fruticultura é um ramo da agricultura, denominada como atividade a produção e colheita dos mais variados tipos de frutas, a fim de consumo próprio ou comercial.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) foi criada em 1973 e é vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O presidente da empresa, Celso Moretti, comentou em entrevista que o investimento do governo federal deve ajudar a produção de diversas frutas: “Aqui no DF, cerca de 65% do nosso território é zona rural, apesar de darmos mais atenção às construções urbanas. A fruticultura está se expandindo aqui e várias culturas vão se beneficiar, como o morango, já que somos um dos maiores produtores dessa fruta. Estamos começando a produzir uva e maracujá, que também vão poder receber uma atenção maior. A cadeia produtiva como um todo vai ser beneficiada”. A Embrapa tem uma iniciativa em parceria com a Covevasf, que incentiva a adaptação e produção de frutas vermelhas no DF, como o morango, amora, framboesa, mirtilo e açaí.

Sebastião Pedro da Silva Neto, chefe geral da Embrapa Cerrados, representante de Celso Moretti na Rota da Fruticultura, explicou: “O investimento vai impactar positivamente uma vez que são tratadas questões estruturantes. Isso vai ajudar as condições de irrigação, logística e até de pós-colheita, junto com a utilização da tecnologia e sistemas, que hoje já estão disponíveis para os fruticultores. Muitas vezes eles não acessam essa tecnologia justamente por falta de recursos”.

Segundo o presidente Celso Moretti, a produção agrícola não parou durante a pandemia e o cenário brasiliense é promissor: “Os produtores não pararam de produzir e a Embrapa continuou trabalhando. Isso foi muito importante porque segurança alimentar é essencial para viver. A economia estava deprimida, mas o PIB da agricultura cresceu 23% de 2019 para 2020”, comentou. De acordo com Celso, a produção e comercialização de alimentos no geral se potencializou durante a pandemia porque as pessoas começaram a comprar mais alimentos para prepará-los em casa, ao invés de comprar pratos prontos, pois muitas delas ficaram desconfiadas quanto à higienização e preparação em lanchonetes e restaurantes.

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O chefe da Embrapa Cerrados, Sebastião Pedro, comentou que os impactos negativos da pandemia afetaram o consumidor, já que os preços de comercialização, transporte e produção aumentaram, mas ele afirmou que a situação é estável e que o investimento vai trazer resultados positivos: “A população terá acesso a frutas de melhor qualidade e sabor, já que muitas delas serão produzidas aqui perto. Com maior produção, terá mais oferta de fruta nos mercados e com isso vem a tendência de queda nos preços.”

O que é a Rota da Fruticultura?

Foto: Vinicius de Melo/ Agência Brasília

A Rota da Fruticultura da Ride-DF (Região Integrada de Desenvolvimento) surgiu em junho de 2021 e reúne o DF e 33 municípios de Goiás e Minas Gerais, como um eixo organizador da cadeia produtiva da fruta, com o empenho de produtores rurais, grupos comerciais, associações, distribuidores e outros. A iniciativa faz parte das Rotas de Integração Nacional – estratégia do MDR – para promover a inovação, incentivar as cadeias produtivas e o crescimento econômico. As ações programadas para esse ano visam aumentar a produção e fornecimento de frutas, gerar emprego e renda, diversificar e implantar novas culturas e motivar novos agricultores do DF e
Entorno.

A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater), lançou o volume 2 do livro “Expedição Safra Brasília – Maracujá”, que possui um capítulo intitulado “A Fruticultura no Distrito Federal: importância, problemas e oportunidades”. O capítulo comenta que em virtude da condição climática da capital e dos avanços tecnológicos, o DF consegue produzir quase todos os tipos de frutas tropicais e subtropicais. O texto aponta que nos últimos anos, o Distrito Federal passou a produzir pequi, mangaba, baru, cagaita, araticum, entre outras, que entraram para o mercado frutícola local.

Segundo o último Relatório de Informações Agropecuárias do DF, da Emater-DF, referente ao ano de 2020, a laranja é a fruta com a menor porcentagem de produção no Distrito Federal e nas regiões administrativas de Brazlândia, Ceilândia, Gama, Paranoá, Planaltina, São Sebastião, Sobradinho e Núcleo Bandeirante. Entretanto, o cenário brasiliense mostra uma participação ativa na produção de banana, goiaba, limão, maracujá e
tangerina.

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O artigo sobre A Fruticultura no Distrito Federal ressaltou a necessidade de desenvolver cultivares geneticamente melhores (plantas que foram alteradas pelo homem) e práticas culturais adequadas ao sistema de produção, com o objetivo de conciliar praticidade com resistência. O texto destacou que a fruticultura, de modo geral, sofre com a perda de colheita pela escassez de câmaras frias e embalagens de acondicionamento; falta de assistência técnica e linhas de créditos para produtores e organização dos próprios em associações ou cooperativas.

Hadassah Laís é economista, advogada e professora em Brasília. Ela comentou sobre os efeitos do investimento na fruticultura do DF: “Essa decisão tem algo muito importante, que é o incentivo à Ride-DF e a ação integrada da Ride visa diminuir o déficit da produção de frutas. O DF possuía em 2019, 31% de déficit em relação à demanda, onde nosso déficit tinha a ver com a escassez de água, com falta de plantio adicional e uso sustentável de recursos naturais.”








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