Francisco Dutra
francisco.dutra@jornaldebrasilia.com.br
Dezenas de brasilienses arrastaram o pé em um forró na passarela subterrânea entre as quadras 111 e 211 da Asa Norte. A música ganhou o espaço público a partir de discos de vinil discotecados das 16h até as 22h.
Em tempos de discussão sobre as formas de resgate e segurança nas passagens do Eixão, a festa mostrou uma forma dançante de aproveitamento e valorização do espaço. Para organizadores do evento, a manifestação também foi uma forma de protesto pelo mau aproveitamento dos espaços públicos culturais do DF.
“Uma vez que os espaços culturais não estão sendo utilizados, outros locais públicos podem ser. Temos as passarelas e a margem do Lago Paranoá”, reforçou o organizador do baile, o músico e pesquisador Cacai Nunes, 34 anos. Além da não utilização dos locais, ele também lembrou que ainda falta a aplicação de uma política de cultura mais eficiente no DF. O protesto, embalado pelo ritmo do forró, ecoou pela galeria a partir de quatro caixas de som.
Sobre o tema, a servidora pública Sônia Palhares, 51 anos, lembrou uma solicitação da comunidade artística do DF: a retomada do uso cultural do Conic. Atualmente, o edifício se tornou sede de diversos sindicatos e empresas, quando originalmente era um ponto para a expressão da arte no quadrilátero federal. “Ali deveria ser nossa Lapa”, disse, referindo-se ao bairro boêmio do Rio de Janeiro.
O forró reuniu um público variado, indo de jovens até famílias inteiras. A terapeuta Iara Moderozo, 32 anos, aproveitou o som para passar um domingo diferente com os parentes. “Estou achando ótimo usar esse espaço desse jeito”, resumiu. Quem não quis arriscar o velho “dois para lá, dois para cá”, ficou conversando no local.