
Dia dos Namorados ali, estreia do Carnaval aqui. O sim de Dandara para o casamento coroou o clima de romance do Carnaval de Brasília, que certamente não perdeu em nada para o dia de São Valentim, que é considerado patrono dos casais em vários países. Tanto no Babydoll de Nylon quanto no Galinho de Brasília, os casais novos e antigos aproveitaram a festa mais brasileira de todas em um calor de 30ºC, provaram que a folia da capital tem paixão e terão de tomar fôlego para a data reservada a eles, em junho.
Quase cem mil pessoas estiveram nos dois blocos, que não registraram ocorrências de destaque. Um furto de carteira aqui, um celular perdido ali, e nenhum ferido. O que teve mesmo foram beijos, abraços e paixão. Em cima do trio elétrico no meio da Praça do Cruzeiro, no Eixo Monumental, o analista financeiro Alexandre Barbosa, 30, parou tudo para pedir a mão da agora noiva Dandara Borges, 24, em casamento.
O traje não foi nada tradicional. Usando uma roupa feminina de dormir vermelha com rendas e bolinhas brancas, ele pegou o microfone e se declarou. Depois, confidenciou que o bloco “é onde eu acho que poderia ser montada a nossa família. É o início de tudo”.
Mais de 50 mil pessoas serviram de testemunha e ecoaram o nome da mulher para que subisse no trio elétrico, que poderia ser um altar tamanho incentivo e alvoroço do público. Já com um véu na cabeça, ela aceitou e trocaram alianças. Já são quase três anos de namoro “e agora vamos casar!”, disse.
Festa democrática
A blusa da banda australiana AC/DC dele e os cabelos no tom mais forte de vermelho dela não pareciam condizer com o clima carnavalesco do Babydoll de Nylon, que ecoa marchinhas e músicas da década de 1990.
Mesmo assim, os estudantes Octávio Cardoso e Karine Oliveira, de 22 e 18 anos, revelaram que sempre procuram um bloco para ir. “A cara de roqueiro é só fachada”, brincou ele. Com mais de um ano de namoro, eles costumam comparecer nas comemorações da capital. “A gente curte demais!”, avisou a jovem.
Público
Mais de cem mil pessoas saíram de casa para pular Carnaval nos principais blocos Distrito Federal. No Galinho (foto), na Asa Sul, a concentração teve início às 14h de ontem. Para isso, o trânsito precisou ser bloqueado em diversos pontos. A margem da via S1, no Eixo Monumental, ganhou uma imensidão de carros estacionados. Hoje, o Eixão do Lazer vai permanecer fechado depois das 18h e o Parque da Cidade funcionará em sentido único.
Durante a folia, também houve espaço para manifestações e críticas contra o governo.
Bloco democrático e “mais alternativo”
O arquiteto Igor Monteiro e o administrador Bruno Camargo, 25 e 27 anos, também aproveitaram o primeiro dia do Carnaval. Em dois anos de namoro, é a segunda vez que escolhem a Praça do Cruzeiro para curtir a folia brasiliense.
“Eu sou bem animado, sempre gostei muito, mas depende muito do bloco. Como somos homossexuais, tem alguns que não aceitam”, revela Igor. O Babydoll é considerado por eles “mais alternativo, avisando que seu público é de todos os gêneros. Aqui aceitam todo mundo, uma coisa que não vemos nos outros blocos”, completou Bruno.
Combinando o rosa da cabeça com peruca e tinta, a servidora pública Daniela Pádua e o professor Francisco Damião, 34 e 45 anos, curtem o Carnaval da capital quando não conseguem viajar. Mesmo assim, consideram a festa maravilhosa. “Tem várias pessoas bonitas, é muito organizado, o clima é de paz. Aqui em Brasília, o Babydoll de Nylon é a melhor opção”, diz Francisco.
Até o governador Rodrigo Rollemberg esteve na folia brasiliense. No Babydoll, usando a camisa do Galinho, deu a volta na Praça do Cruzeiro atrás do trio elétrico no meio da multidão. Ele já é velho conhecido do Carnaval da capital e sempre apareceu como entusiasta da festa.
APAIXONADOS
O Bloco Galinho de Brasília foi tomado por jovens, que com os hormônios aflorados, não tiveram pudor na Asa Norte.
Exceção, os estudantes Amanda Alvares e Júlio César Paiva, de 17 anos, foram comprometidos para a festa. “Normalmente, o pessoal daqui termina o namoro antes do Carnaval, mas para nós não tem isso”, diz a estudante. “O bloco é ótimo porque tem muita gente da nossa idade”, completa.
Festa superou todas as expectativas
Neste ano, os blocos brasilienses correram o risco de não sair. O Governo do Distrito Federal informou que não teria recursos para patrocinar o Carnaval brasiliense e cancelou oficialmente a festividade, semanas atrás.
No entanto, os organizadores não se deixaram levar pelo empecilho e, ontem, fizeram a festa dos foliões brasilienses.
O Galinho, junto com demais integrantes da Liga dos Blocos Tradicionais, teve de cortar gastos para colocar o trio elétrico na avenida. Segundo a Polícia Militar, movimentaram ao som do frevo e pela 23ª vez, mais de 20 mil pessoas nas entrequadras da Asa Sul.
Volta por cima
Para David Murad, um dos organizadores do Babydoll de Nylon, quem colocou o bloco na rua foi a população. “É um sucesso”, diz, comemorando o maior público dos cinco anos de história: mais de 50 mil pessoas estiveram na Praça do Cruzeiro. No ano passado, o número não passou dos 15 mil.
“No ano em que o governo não conseguiu contribuir, entendemos os motivos. E tivemos o melhor Babydoll de todos os tempos. Temos mais segurança, mais tendas, mais banheiros, mais infraestrutura, mais público. Estamos satisfeitos”, declara Murad.
Com ajuda do público, eles arrecadaram R$ 25 mil, 57% dos mais de R$ 43 mil necessários.
Saiba mais
Até esta terça-feira de Carnaval, 30 agremiações sairão às ruas, com tradição.
Neste ano, os blocos carnavalescos terão o reforço das baterias das escolas de samba, que não terão o desfile tradicional.
Hoje, a festa está garantida com mais 16 blocos de rua distribuídos pelo Distrito Federal.
Dentre eles, destaque para Raparigueiros, Pacotão, Baratinha e Baratona.
Confira a programação completa no site do Jornal de Brasília.