Novamente, um princípio de incêndio em um vagão do metrô causou pânico entre os usuários. Dessa vez, foi na Estação Guariroba, em Ceilândia, por volta de meio-dia. O problema, que acontece pela segunda vez em menos de dois meses, ainda não teve as causas oficiais apontadas. Porém, de acordo com a secretária de Assuntos Jurídicos do Sindicato dos Metroviários (SindMetrô-DF), Tânia Viana, as recorrentes panes no sistema são resultado da ausência de manutenção preventiva. “Vão esperar que alguém morra para tomar alguma providência efetiva”, disse.
No dia 20 de dezembro do ano passado, um vagão do metrô teve um princípio de incêndio quando chegava à estação de Samambaia Sul. A fumaça ficou localizada no vagão destinado às mulheres. “Pegar fogo em trens é uma coisa gravíssima. Isso não pode acontecer de maneira alguma. A manutenção está largada, coloca em risco a vida dos servidores e dos usuários”, disse Tânia.
Procurada, a assessoria de imprensa do órgão não atendeu a reportagem para explicar quais as possíveis causas do incidente. À TV Globo, a direção do órgão informou que um projeto de melhorias para o metrô está na Caixa Econômica Federal, que vai financiar a obra.
De acordo com o sindicato, hoje apenas 80 funcionários fazem a manutenção corretiva dos trens e não há revisão do sistema. Ainda segundo Tânia Viana, “não existem fiscais suficientes para controlar as manutenções”.
Entretanto, na página do órgão na internet, o link “entenda como funciona a manutenção do metrô” leva o usuário a uma página onde é detalhado que “o processo de manutenção do ‘material rodante’ (nome dado aos trens) é predominantemente preventivo”. O texto diz que “a periodicidade e o nível de intervenção são determinados pelo plano de manutenção elaborado pela Engenharia”.
Sem feridos
O incêndio de ontem foi controlado próximo das 13h30. Logo depois, técnicos da área de manutenção foram ao local tentar identificar a origem da fumaça. Segundo o Corpo de Bombeiros, o acidente não deixou feridos. O acesso à estação foi fechado, mas, segundo funcionários, os trens trafegavam normalmente nos dois sentidos.
O trem, que ficou com um dos vagões completamente incinerado, foi levado ao pátio de manutenção e peças enviadas ao fabricante.
Condição preocupa passageiros
As panes no metrô preocupam os passageiros. Não é difícil encontrar quem tenha passado por situação atípica dentro dos vagões. “Não me sinto segura. Já passei por uma situação em que os passageiros ficaram presos por mais de uma hora na 114 Sul. Ficamos sem comunicação e simplesmente parados no meio do caminho. Quando o serviço foi retomado e chegamos à estação, teve gente que quase praticou atos de vandalismo e exigia o dinheiro da passagem de volta”, disse a auxiliar de administração Lia Gouveia, 31 anos.
Já o auxiliar administrativo Albert Roberto Torres, 22 anos, cogita até deixar de usar o metrô depois do ocorrido. “Minha sogra me ligou preocupada e disse que um vagão tinha pegado fogo. Sempre tive medo de que o metrô descarrilhasse, porque balança muito”, disse.
O estoquista Nilson de Oliveira, 36, está perdendo a confiança do meio de transporte. “Já enfrentamos problemas com horários de pico, alguns vagões antigos, e agora mais essa”, afirmou.