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Brasília

Flagrantes de motoristas embriagados crescem 39%

Arquivo Geral

21/02/2015 7h30

Quando voltava de um encontro com amigos em Águas Claras, a assessora de imprensa Samara Correia, 27 anos, foi parada por uma blitz embaixo do viaduto que separa o Pistão Norte do Sul, em Taguatinga. Passava da meia-noite quando precisou fazer o teste do bafômetro. No mesmo mês, o servidor público Emanuel Estrela, 23, passou pelo mesmo procedimento na Avenida das Nações. Ambos não haviam ingerido bebidas alcoólicas e foram liberados   após o teste, mas o mesmo não ocorre com todos os condutores. Em 2014, houve 39% casos de embriaguez ao volante a mais que no ano anterior. 

Ao todo, 11.402 pessoas foram flagradas dirigindo sob influência de álcool ou qualquer outra substância que cause dependência, contra os 8.199 registrados em 2013. Os números englobam as ações do Departamento de Trânsito  (Detran), Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e Polícia Militar (PMDF).

A infração é considerada gravíssima pelo Código de Trânsito que, em seu artigo 165, define multa de R$ 1.915,40, suspensão do direito de dirigir por um ano, recolhimento da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e retenção do veículo. 

Para o diretor-geral da pasta, Jayme Amorim, há inúmeros fatores que justificam o índice elevado: “Quando   aumentamos o efetivo, a fiscalização também aumenta. Pode ser  que as pessoas ainda não tenham a consciência de que não devem dirigir depois de ingerir bebida alcoólica”.  

“A filosofia do trânsito é igual às questões da segurança pública. Quanto mais se aborda, mais se identifica o infrator. Foi o que aconteceu”, resume Silvain Barbosa, diretor de Policiamento e Fiscalização de Trânsito do Detran. Para ele, “a prioridade é a proteção à vida”. 

E apenas neste Carnaval, em média, 55 pessoas foram autuadas por dia, por dirigirem após a ingestão de bebidas alcoólicas, e 37 flagradas sem habilitação. O Detran registrou 150 condutores trafegando sem o documento e 222 casos de embriaguez ao volante.

Defesa por quantidade tolerável

Carlos Penna, especialista em trânsito, entende que o índice elevado  de flagrantes é, sim, resultado de um aumento de fiscalização. “Houve mais atuação das autoridades, mais pontuais e bem feitas. Então, é natural que o número aumente. Esse tipo de ação é importante principalmente porque faz com que as pessoas não se arrisquem em dirigir bêbadas”, diz. 

No entanto, Penna acredita que o teor alcoólico deve voltar  a ser  discutido. “Não se deve proibir qualquer consumo, mas indicar uma quantidade segura. Tem que se achar um ponto de equilíbrio, mas se não fizer fiscalização, as pessoas continuarão se matando”, ressalta. 

Ao ser parada pela fiscalização,   Samara Correia não ficou tensa, já que  evita  beber quando vai dirigir. “Tenho muito medo de blitz”, confessa. A assessora  lembra que, naquela noite, estavam parando todos os carros. “O agente me pediu os documentos  e perguntou se eu havia ingerido bebida alcoólica. Neguei e ele pediu que eu fizesse o teste”, conta. Ela logo foi liberada.  Para Samara, o peso da multa e a chance de a CNH ser retida são   inibidores de ser imprudente.

Quando o teste não representa problema

 O servidor   Emanuel Estrela, 23,  diz não ingerir     bebida alcoólica. Até por isso, não foi problema quando teve de parar no meio do trajeto que faria do Guará até o  Jardins Mangueiral para fazer o teste do bafômetro. “O agente questionou se eu faria o teste. Assoprei e o resultado foi zero. Depois disso, fui liberado”, lembra. Essa foi a primeira e última vez que ele foi parado. 

“Eu não bebo e acho essa fiscalização essencial, principalmente por causa dos vários acidentes que acontecem por causa de alguém que bebeu antes de dirigir. Não sei se esse tipo de ação inibe o consumo, porque as pessoas sempre encontram um jeito de desviar das blitze, mas o medo de ser pego aumenta”, considera.

Desabilitados 

Em 2014, 14.191 pessoas foram flagradas dirigindo sem Carteira Nacional de Habilitação (CNH). O diretor-geral do Detran, Jayme Amorim, pondera que “uma coisa é esquecer a carteira de motorista em casa. Outra coisa é não ter mesmo e, dependendo da conduta, isso pode se configurar até um crime de trânsito“, diz.

Os enquadrados representam 5,2% menos que os 14.977 registrados no ano anterior. Dirigir sem possuir habilitação ou permissão infringe o artigo 162 do Código Brasileiro de Trânsito. É considerado infração gravíssima, o carro é apreendido e o condutor ainda tem que pagar multa de R$ 574,62. 

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