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Brasília

Flagrantes de motoristas embriagados aumentaram 36%, aponta Detran

Arquivo Geral

11/04/2017 7h00

Atualizada 10/04/2017 22h20

Foto: Myke Sena

João Paulo Mariano
Especial para o Jornal de Brasília

Tem gente que mistura álcool e direção como se fosse uma receita de drinque, sem perceber que o risco é muito maior que apenas uma ressaca: acidentes e mortes podem acompanhá-lo. Só no primeiro trimestre deste ano, 4.834 condutores foram autuados nessa condição – desses, 390 presos. No mesmo período do ano passado, houve 3.068 atuações e 503 prisões. Um aumento de 36,5% de um ano para o outro. Para especialista, o número de consumidores de álcool ao volante seria ainda maior.

Os dados são do Departamento de Trânsito (Detran-DF) e representam uma média de 53 multas por dia. Uma delas foi dada ao editor de vídeo Paulo Freitas, 28. Em fevereiro, ele saiu de um happy hour após consumir quatro latas de cerveja. Passou em casa para comer e tomar banho e depois levou um amigo à Asa Norte, por volta da 0h.

Antes de chegar ao destino, foi parado em uma blitz. Ele avisou que tinha bebido mais cedo e que poderia fazer o teste do bafômetro. Os policiais alertaram que ele seria levado à delegacia se o resultado fosse 0,3 miligrama ou mais de álcool. O jovem preferiu não fazer o exame: chamou um amigo para que levasse o carro e saiu de lá com a carteira apreendida e uma multa de R$ 2.934,70.

“Agora, depois de pagar quase R$ 3 mil, penso em quantas viagens de Uber eu poderia pegar com essa grana. Tive de aprender a me divertir sem o álcool. Além disso, conversei com os amigos próximos para que eles tomem cuidado, e sempre elegemos o ‘amigo da vez'”, confirma Paulo. Ele conta que outra estratégia é combinar de todo mundo dormir no local da festa, para não haver risco à vida de ninguém. O jovem não quer se tornar reincidente e garante que não só aprendeu a lição como a repassou.

Sem aprendizado

“Lamentavelmente, há uma parcela que não aprendeu que pode provocar mortes. A preocupação não deve ser devido à multa, mas aos acidentes”, adverte o diretor-geral do Detran, Silvain Fonseca. Ele percebe que não são apenas os jovens que se envolvem nessas situações, e há reincidência mesmo entre os mais velhos.

Fonseca estima que 95% dos acidentes com pessoas embriagadas são evitados devido ao trabalho da autarquia em relação à educação no trânsito e nas blitze. Ele analisa que o aumento das autuações se deve à maior presença dos agentes do Detran e à parceria com a Polícia Militar, que leva mais fiscalização ostensiva às ruas, concretizando o crescimento do número de abordagens.

A Lei Federal 13.821 entrou em vigor em novembro do ano passado e alterou os valores para quem for pego sob efeito de álcool ao volante: passou de R$ 1.915,40 para R$ 2.934,70. Apesar disso, a reincidência não é pequena, segundo o Detran.

Além disso, com a nova lei, a recusa à realização de exame que comprove a influência de álcool ou outra substância psicoativa passou a ser considerada infração de trânsito.

Quem for pego pela segunda vez tem de pagar multa de mais de R$ 5 mil, fica 12 meses sem habilitação e deve fazer todo o processo de provas teóricas e práticas como se fosse a primeira vez para tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

“Sempre dizem: ‘foi só um gole’, ou ‘tô indo ali perto’ ou que está acostumado a dirigir e que já faz tempo que consumiu álcool. Mas isso não é desculpa. É preciso tomar cuidado”, complementa o diretor-geral.

Ponto de vista

O especialista em trânsito Artur Morais acredita que o número de flagrantes ainda é pequeno em relação à realidade do Distrito Federal. Ele cita pesquisa do Instituto de Segurança do Trânsito, que apontou que cerca de 200 mil pessoas dirigiam sob influência de álcool no DF, mas somente 3 mil foram autuadas no ano estudado, 2014. “Isso significa que esse número é muito pequeno em relação às pessoas que bebem e dirigem. Quanto mais o Detran intensificar, mais pessoas serão flagradas”, alerta.

Morais compreende que a Lei Seca, ao aumentar a penalidade, mudou o comportamento de várias pessoas. Porém, seria necessário fazer nova pesquisa para saber o quanto realmente melhorou. Para o especialista, três fatores são importantes para que o quadro melhore: sensibilização da população, campanhas eficientes e, por último, a fiscalização inteligente.

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