Johnny Braga
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A todo instante, o telefone toca, em casa ou no trabalho, com alguém do outro lado da linha pedindo doações a entidades filantrópicas. E com a proximidade do Natal, as ligações se intensificam. Há quem se incomode com a situação, muitas vezes com desconfiança sobre a veracidade das informações. O receio é natural, uma vez que existem pessoas que se aproveitam da bondade de outras para extorquir dinheiro. Por isso, para garantir que o donativo tenha o destino certo – o auxílio a quem mais precisa –, é necessário seguir alguns cuidados.
A coordenadora de Repressão às Drogas (Cord), da Polícia Civil, delegada Cláudia Alcântara, orienta as pessoas a se atentarem a essas ligações e alerta que, em nenhuma hipótese, deve-se fornecer dados pessoais, pois instituições sérias não fazem esse tipo de pedido.
“Se a pessoa quer fazer caridade, ela deve antes de tudo pegar o endereço da instituição e verificar sua existência. Depois, procurar o gerente ou responsável e perguntar se são feitas campanhas de recolhimento de donativos”, recomenda.
Esses pedidos de doação, quando praticados sem cumprir o que realmente foi firmado, são taxados como estelionato. Os autores do crime podem pegar de um a cinco anos de prisão. O Ministério Público também tem trabalhado para combater a prática. No site www.mpdft.df.
gov.br há uma lista com as instituições que apresentam as contas em dia. Os dados são atualizados diariamente.
Fazer o bem

Maria sabe que nem todos gostam das ligações: “Nosso intuito não é irritar”
A esteticista Cleuza Ferreira, 47 anos, conta já ter recebido diversas ligações com pedidos de doações, muitas vezes “perturbadoras”. Certo dia, por curiosidade, resolveu conhecer uma destas instituições e comprovou que a entidade existia: “As ligações incomodam, mas não custa nada ouvir o que as pessoas têm a dizer. Quando eu posso doar, eu doo. Fazer o bem não faz mal”.
Muitas instituições possuem um setor específico para a captação das doações por telefone. Um exemplo é a Creche Anjo da Guarda, localizada em São Sebastião. A entidade recebe 83 crianças, filhos de presidiários ou de pais de baixa renda. Porém, há pessoas agindo de má-fé, que usam o nome da entidade para fins ilícitos.
A coordenadora Pedagógica da creche, Maria Ivanilda Patriota, 42 anos, diz que a intenção não é “pegar no pé” das pessoas, mas as ligações são essenciais. “Nosso intuito não é irritar, mas contribuir com o bem-estar dessas crianças”, conta. O telefone do local é 3339-1392.