Muita gente não sabe, mas a Lei da Fila do Distrito Federal (2.547/2000) determina que, entre os dias 1º e 10 do mês, o tempo de espera deve ser de, no máximo, 30 minutos. Porém, a legislação não está sendo respeitada. De janeiro até março deste ano, foram abertas 311 reclamações no Procon, uma média de três por dia, por conta do desrespeito ao limite de espera permitido. Além disso, o instituto registrou também 16 denúncias pelo telefone 151. Em 2012, foram 150 processos por conta da desobediência à regra. Em todos, os bancos pagaram multas aos clientes.
Nas agências, o que mais se vê são enormes filas nos dias em que os salários caem nas contas. Só no centro de Ceilândia, todos os bancos flagrados pela equipe do JBr após as 11h, horário em que abrem as portas, tinham pessoas esperando há mais de 40 minutos para serem atendidas, inclusive pessoas com deficiência e idosos.
“Minha expectativa é ser atendido só daqui a uma hora e meia. Menos que isso já sei que não vai acontecer”, desabafou o segurança Divino da Conceição, 35 anos.
Dificuldades
A Caixa Econômica, o Banco do Brasil e o Itaú foram as agências flagradas com mais filas para o atendimento. Idosa, Teresa de Jesus Barbosa, 61, já aguardou 40 minutos para ser atendida depois de pegar a senha. “Os mais velhos entendem as coisas com mais lentidão. Sempre demora e eles (bancos) não fazem nada para resolver”, disse.
O Itaú, banco flagrado com fila de espera, informou que implementou, recentemente, horário diferenciado de atendimento. A iniciativa prevê que as agências nos shoppings funcionem das 12h às 20h, com atendimento exclusivo para clientes da empresa após as 17h. “Aqui raramente todos os caixas estão funcionando. Aí, sempre esperamos muito”, disse Iolanda Amorim, 45.
A professora já perdeu horas de trabalho para conseguir resolver questões bancárias. “Aí, quando você fala para o chefe, ele acha que é mentira. É realmente constrangedor o que a gente passa por conta disso”, acrescentou. O Banco do Brasil e a Caixa não responderam oficialmente o porquê dos atrasos no atendimento até o fechamento desta edição.
Um gerente, que não quis se identificar, de uma agência do BB da área central de Brasília, informou apenas que a justificativa do banco para as longas esperas é de corte de gastos. Ele disse que a empresa, desde outubro do ano passado, não está investindo em novos caixas. O problema, alegou, é na direção do banco, “que faz pouco caso dos clientes”, afirmou.
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