Amanda Costa
amanda.costa@jornaldebrasilia.com.br
Um dia após o Supremo Tribunal Federal (STF) finalmente declarar a constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa, os bastidores políticos da capital federal ficaram estremecidos ante o destino incerto de figuras importantes como a do ex-governador Joaquim Roriz (PSC), que só poderá voltar a concorrer nas eleições de 2024, quando terá 88 anos. Enquanto aliados apostam que ele ainda pode influenciar os eleitores, especialista afirma que o apoio do ex-governador não é mais tão importante assim.
O cientista político João Paulo Peixoto explica que, pelo fato de Roriz estar há algum tempo sem disputar eleições, a transferência de votos pode não ser preponderante nas próximas eleições. “Ele vai transferir votos, mas não acredito que seja decisivo para eleger algum candidato”, pontuou o especialista.
Aliados, no entanto, acreditam que ele permanecerá no cenário político do DF. O presidente do PSD-DF e ex-governador, Rogério Rosso, diz que as filhas de Roriz – a deputada federal Jaqueline (PMN) e a distrital Liliane (PSD) – poderão herdar os votos dele. “É sempre bom lembrar que o governador tem duas filhas com mandato e a própria dona Weslian, que participou da última eleição. O governador Roriz já deve estar traçando algum plano político para 2014 e não tenho dúvidas de que terá papel preponderante”, destacou.
O cientista político Paulo Kramer concorda que o legado de Roriz deve ficar para as filhas. “O grupo vai se perpetuar por meio do legado que ele deixará para as filhas e também para outras pessoas que forem se agregando ao projeto”, opinou. “No DF, o grande fator de sobrevivência do ‘rorizismo’ é a péssima administração do governador Agnelo Queiroz”, avaliou.
Em nota à imprensa, após a decisão do STF, Roriz destacou o papel das filhas e garantiu que não deixará a vida pública. “Estarei apoiando alguém que comungue com minhas ideias, que seja do nosso grupo político, respeite e governe para o povo”, disse no texto.
oposição “ferrenha”
Alberto Fraga, presidente do DEM-DF, que também acompanhou de perto a carreira política de Roriz, considera que, mesmo sem Roriz nas disputas, o cenário político não será enfraquecido, porque o ex-governador não sairá do enredo. “Ele foi um nome de grande importância para Brasília. Mas agora, novos nomes poderão surgir e ter o apoio dele, até porque o nome dele não será apagado da noite para o dia”, disse. “Ele continuará fazendo diferença nas eleições, porque tem percentual elevado de eleitores”, arrematou.
Maria de Lourdes Abadia (PSDB), que assumiu o GDF interinamente após Roriz se lançar candidato ao Senado em 2006, afirmou que, mesmo diante da impossibilidade de o aliado tornar a concorrer nas próximas eleições, ele deve continuar com peso político: “Ele não será candidato, mas pode ser uma oposição muito ferrenha”.
Leia mais na edição impressa deste sábado (18) do Jornal de Brasília.