Bárbara Fragoso
Especial para o Jornal de Brasília
Sons de tamborim, pandeiro, violão, cavaquinho, cuíca e percussão ressoaram pela capital. A sonoridade, por si só, tornou-se um convite generoso para dançar no Festival Divas do Samba. O evento gratuito, que reuniu aproximadamente três mil pessoas na Torre de TV, comemorou antecipadamente o Dia do Samba, festejado no próximo dia 2.
A animação do público ficou sob o comando das cantoras Fabiana Cozza, Dhi Ribeiro, Kris Maciel, Tereza Lopes e Renata Jambeiro, acompanhadas das bandas Filhos de Dona Maria e Adora Roda. As apresentações ocorreram das 13h às 19h.
Em meio à animação do público, o verbo sambar transformou-se em sujeito da oração e do momento. O gracejo musical das cantoras encantou amantes da música. Afinal, “o samba da minha terra deixa a gente mole. Quando se canta, todo mundo bole”, já dizia Dorival Caymmi, na composição de 1940, inspirada nos sambas de roda da Bahia.
Para a cantora carioca Dhi Ribeiro, que mora em Brasília há 20 anos, a capital federal tem lugar especial em sua trajetória artística. “Foi nesta cidade que me descobri como sambista. É uma delícia cantar para o público brasiliense. Aqui é a minha casa”, comenta.
A sambista relata que deixou-se levar pela influência musical de intérpretes como Dona Ivone Lara, Jovelina Pérola Negra, Clara Nunes, Beth Carvalho e Emílio Santiago. “O samba é tudo, pois as letras falam da minha raiz”, acrescenta.
Paixão e respeito
Com 12 anos de carreira, a cantora Tereza Lopes acredita que o significado do samba abrange os sentimentos de “paixão, respeito, parceria e gratidão”. A cantora incluiu no repertório apresentado para o público grandes nomes como Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho e Romildo Bastos. “A energia do povo brasiliense é singular. Não tenho palavras para descrever”, ressalta.
Ao subir ao palco, a sambista Renata Jambeiro relata que o principal objetivo era alcançar o máximo de pessoas por meio da música. “Elas devolvem por nós todo o afeto que temos pela cidade”, relata.
Além das composições próprias, entraram na apresentação da intérprete brasiliense músicas do Império Serrano e um pouco de ritmo africano. “Afinal, o samba tem o poder de aproximar as pessoas. O ritmo alegra as pessoas e permite a reflexão”, complementa.
Repertório nostálgico empolgou
O ator Ricardo Garcia, 42, aproveitou a tarde de sábado para relembrar os momentos de infância, que marcaram o contato com o samba. “Aprendi a tocar percussão com os meus tios libaneses, em Minas Gerais”, conta. Na época, era o mascote do grupo de adultos estrangeiros. “Eu só tinha 12 anos e era cercado por amantes do samba, que interferiram na minha vida”, comenta.
Para o nutricionista Matheus Veiga, 34 anos, é sempre válido ouvir boa música. “Nada como ouvir Dorival Caymmi e os estilos da música afro”, comenta. Para ele, o momento propicia a oportunidade de reunir a cultura brasileira. “É de ficar com o sorriso aberto”, acrescenta.
O projeto “Divas do Samba”, do Beco da Coruja Produções é financiado pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC). O programa incluiu, entre agosto e setembro deste ano, três apresentações em asilos e duas em escolas de deficientes visuais.