O Festival de Esportes Aéreos (FEA Brasília 2026) encerrou neste domingo (9) sua primeira edição, após cinco dias de programação que levaram balões, paraquedas, paramotores e outras modalidades aéreas ao céu da capital. Com milhares de visitantes, o evento ampliou a presença dos esportes aéreos na programação turística de Brasília, movimentou a economia criativa e aproximou o público de modalidades ainda pouco conhecidas.
As atividades foram distribuídas entre o Gramado do Eixo Cultural Ibero-Americano e a Torre Digital. Entre as atrações, o público acompanhou voos cativos de balão, demonstrações de BASE Jump, paramotor e aeromodelismo, além de apresentações culturais, feira de artesanato e shows musicais. A programação também proporcionou experiências diretas com as modalidades e reuniu diferentes públicos em torno dos esportes aéreos.
A emoção de quem participou pela primeira vez foi um dos retratos mais marcantes do encerramento. A farmacêutica Débora Marques chegou ao festival com um desafio pessoal, enfrentar o medo de altura. Ao lado do marido, Farlei Alves Ferreira, e do filho, Lorenzo, ela embarcou no voo de balão carregando expectativa e apreensão. Na chegada, admitia que estava ali para combater um dos maiores medos da vida.

Depois da experiência, a sensação era completamente diferente. “Valeu a pena combater o meu medo para conhecer esse céu de Brasília lá de cima. Foi tudo maravilhoso. Não me arrependo e quero andar de novo. O Lorenzo também estava com muito medo, mas quando desceu perguntou: ‘Já acabou?’. É uma experiência contagiante, você vê o céu, a cidade e tudo o que a natureza nos oferece”, comentou animada.
O pequeno Lorenzo, de apenas 10 anos, chegou tímido e dividido entre o medo e a curiosidade. Ao final do passeio, tornou-se um dos exemplos de como o festival conseguiu transformar receio em encantamento. Já Farlei, que já apreciava atividades em altura, resumiu o sentimento de quem aguardava o voo com ansiedade, mas sem medo, para ele, a experiência confirmou a expectativa positiva criada antes da decolagem.
Outra família viveu emoção semelhante. O estudante Pedro Henrique Tavares, de 10 anos, estava animado para realizar o primeiro passeio de balão da vida e definiu a experiência como “uma loucura” no melhor sentido da palavra. “Foi poucas vezes que fiz atividades aéreas, então acho que vai ser uma loucura, mas também muito divertido”, disse o jovem.

A mãe dele, a coordenadora pedagógica Sabrina Carvalhar Milhomem, contou que aguardava há anos a oportunidade de participar de um evento de balonismo em Brasília. “A expectativa está alta. Eu sempre via os balões e nunca conseguia vir. Desta vez consegui participar acho que vai ser uma experiência que realmente vale a pena”, comentou.
Para a organização, o resultado do festival confirmou o principal objetivo do projeto, popularizar os esportes aéreos e aproximar essas modalidades da população. André Rangel, do Instituto IGA, responsável pela realização do evento, destacou que a primeira edição foi pensada para tornar essas atividades mais acessíveis ao público.
“O objetivo central do festival foi justamente a popularização dos esportes aéreos. Criamos uma estrutura que permitisse ao público conhecer de perto modalidades como balonismo, parapente, paramotor e paraquedismo. Ver as pessoas participando, lotando os voos cativos e se interessando por esse universo foi extremamente gratificante”, disse Rangel.
Segundo André, a realização do evento também gerou impacto na economia local, com a participação de artesãos, profissionais da economia criativa, equipes técnicas, atletas e visitantes que movimentaram hotéis, serviços e atividades relacionadas ao turismo.

Ele também fez questão de destacar o papel das equipes envolvidas na operação do festival. “É um evento que depende de uma grande estrutura e de muita responsabilidade. Agradeço às equipes de segurança, à produção, aos parceiros e, principalmente, ao público, que abraçou essa primeira edição”, agradeceu André.
Bruno Dias, vice-presidente da Associação Brasileira de Paraquedismo (ABPD) e integrante da organização do festival, afirmou que o grande diferencial do evento foi democratizar o acesso às modalidades aéreas. “A proposta sempre foi trazer a população para perto dessas atividades. Quando uma criança, um jovem ou um adulto tem a oportunidade de conversar com atletas, pilotos e praticantes, existe a possibilidade de despertar novos talentos. O festival nasceu com esse propósito”, relatou Bruno.
Dias também ressaltou a importância de Brasília para o fortalecimento do setor. “Brasília é o centro do poder do país e reúne os principais órgãos reguladores. Aproximar praticantes, entidades e instituições ajuda a fortalecer o diálogo e contribui para a realização de atividades cada vez mais seguras. Isso traz benefícios para o balonismo, para o paraquedismo e para todos os esportes aéreos”, comentou.
O FEA 2026 teve realização do Instituto IGA, apoio do Eixo Cultural Ibero-Americano, da Secretaria de Turismo do Distrito Federal (Setur-DF), do Governo do Distrito Federal (GDF), da Associação Brasileira de Paraquedismo e da Associação de Balonismo e Aerodesportos do Centro-Oeste, a expectativa que o festival ganhe uma segunda edição em 2027.