Nesta sexta-feira (15), aconteceu a última noite de mostra competitiva nacional do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. A noite foi marcada por produções voltadas para temáticas indígenas e quilombolas. O documentário ficcional “A transformação de Canuto” dos diretores Ernesto de Carvalho e o indígena Ariel Kuaray Ortega foi o grande destaque da mostra ao lado dos curtas “A fumaça e o diamante” e “Vão das almas”.
O longa conta a história de uma lenda contada em uma pequena comunidade Mbyá-Guarani entre o Brasil e a Argentina. Por lá, todos conhecem o nome Canuto: um homem que se transformou em uma onça e, depois, morreu tragicamente.
Ao Jornal de Brasília, Ariel Kuaray Ortega conta como foi o processo do documentário ficcional. “O processo começou, começou com o Ernesto de Carvalho que é co-diretor em 2007 e foi ali que surgiu a ideia para o filme. Eu escutava quando eu era criança a história na aldeia. Eu contei para ele e começamos juntos a escrever, depois nós escrevemos em vários editais, isso em 2014 e só concluímos agora”.
Ariel ainda destaca a importância do lançamento no festival, e frisa a importância do audiovisual indigena. “É muito importante estar aqui, além de eu ser indigena, mostrar a nossa visão, a nossa história. Durante muito tempo não podíamos contar nossa história para a sociedade. Então é extremamente importante”.
Curtas da noite
A noite também foi marcada pela exibição de dois curtas-metragens para Mostra Competitiva Nacional, “A fumaça e o diamante” dos diretores Bruno Villela, Fábio Bardella e Juliana Almeida e “Vão das almas” de Santiago Dellape e Edileuza Penha de Souza.
O curta dos três diretores, é abordado três meses após o impeachment de Dilma Rousseff, e retrata o que estava acontecendo na aldeia Catrimani (Terra Indígena Yanomami-AM/RR) na VIII Assembleia da Associação Hutukara. No início da noite, uma intensa fumaça toma a aldeia enquanto acompanhamos o reencontro de uma família Yanomami no pátio central.
“Na época estávamos gravando uma série e fomos convidados para a Assembleia da Associação Hutukara, era uma séria sobre os preconceitos indígenas. Então a gente tinha muito material para o curta e pensando nos últimos anos foi muito assertivo esse período para a produção”, destaca Bruno Villela.
Já o último curta da mostra competitiva conta a história da profecia da Matinta do vilarejo fantasma do Vão de Almas como uma corrente de ar gelado: “Existem vários tipos de Saci. Pererê é aquele menorzinho, que prega peça. Saçurá faz maldade…”.
“A gente tinha essa questão sobre o Saci e depois veio sobre os acontecimentos agrários e conseguimos fundir essas duas ideias. E a Edleuza foi muito importante para isso. Esse momento tenebroso foi muito pensado e trazer esses elementos foi muito importante e foi pensando nesse momento dos povos originários”, declaram os co-diretores.
Chegando ao fim
Neste sábado chega ao fim a 56ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, com a tradicional entrega dos Candangos no Cine Brasília a partir das 21h com transmissão ao vivo pelo canal do youtube.