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Brasília

Festival de avião de papel resgata brincadeira no DF

Arquivo Geral

25/04/2016 7h23

O tráfego aéreo do Distrito Federal ficou lotado de aviões… de papel. Um festival tirou adultos e crianças de casa para fazer e aprender diversos tipos de dobraduras e arriscar manobras no céu azul sem nuvens de domingo. Os pais relembraram a infância com a tradicional brincadeira e se divertiram com os filhos longe de tecnologias no Festival de Avião de Papel, na 112 Sul.  

Rafael Carpi, seis anos, teve a ajuda do pai, Tiago Carpi, biólogo de 40 anos, para executar as dobraduras. Depois de pronto, disse ter gostado, e os arremessos ficaram cada vez mais fortes. Os dois saíram cedo do Lago Norte para participar do evento combinado pelas redes sociais. Foram fazer uma atividade diferente em um domingo de sol. 

“Achei legal. Tinha que ter mais iniciativas de reunir a comunidade e fazer coisas diferentes com os filhos. Hoje em dia, as crianças ficam tanto tempo nos meios eletrônicos e a molecada está se divertindo aí”, considerou  Tiago. Sua infância foi de brincadeiras na rua. “Meu pai nos incentivava”, contou. 

Nostalgia

Enquanto as crianças estavam curiosas e animadas para brincar com o pedaço de papel dobrado de forma aerodinâmica, os pais pareciam se divertir nostalgicamente. Alemão, Christian Silva, 37 anos, não parava de jogar a dobradura, enquanto as filhas aprendiam a confeccionar o próprio brinquedo. “Eu jogava, mas quando   tinha uns 12 anos”, lembrou. Ele está há seis anos no Brasil. 

O organizador do festival   é professor. Na escola, Eduardo Landivar, 35 anos, incentiva a brincadeira com avião de papel. “É uma atividade muito rica. Trata a parte psicomotora. Eu sempre gostei.  Participo de campeonatos grandes que acontecem a cada três anos, mas não queria esperar todo esse tempo por outro. Resolvi fazer o evento”, contou.  

Saiba mais
 
Não se sabe exatamente a origem dos aviões de papel. Normalmente, é atribuída à China Antiga, e eles teriam sido aperfeiçoados no  Japão. 
Leonardo Da Vinci relatou em seus escritos que usou modelos de aviões de papel. Isso o teria ajudado com os testes de seu ornitóptero,  famosa nave que voava ao bater asas. A técnica também foi usada para a criação de paraquedas.
 
Sonho de se tornar piloto
 
Aos cinco anos, Thomás   decidiu o que quer ser quando crescer. “Vou ser piloto!”, planeja, contando que já conheceu uma cabine. Em casa, tem aviões de papel e miniaturas. A mãe, Ana Paula,   36 anos, conta que até impressões erradas e rascunhos são usados para as dobraduras. “Desde os três anos, ele diz que quer ser piloto”, explicou a fotógrafa. 
“Thomás não troca brincadeira motora por videogame. Ele também usa tecnologias, mas, geralmente quando tem companhia”, disse a mãe. Os dois levaram  um livro com mais de cem modelos de origami, e foi sucesso.
A movimentação durante a manhã foi intimista e familiar. Cerca de 50 pessoas estiveram ali. Mas o Festival de Avião de Papel não deve se repetir. Eduardo Landivar gastou cerca de R$ 1 mil para organização, taxas administrativas e divulgação e reclama da burocracia  para ocupar uma quadra pública.  “Para fazer um evento regularizado, com alvará, é muita dor de cabeça”, relatou. Para ter a permissão, foi quase dez vezes ao Setor Bancário Norte. “Entendo por que as pessoas não fazem evento de graça”, lamentou. 

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