Menu
Brasília

Festa que terminou em pancadaria vira exemplo dos excessos de muitos jovens

Arquivo Geral

18/02/2012 7h06

Leandro Cipriano
leandro.cipriano@jornaldebrasilia.com.br

 

O caso dos estudantes alcoolizados na festa dos calouros da Upis Faculdades Integradas, em Planaltina, deixou em evidência  os perigos do álcool quando associado à irresponsabilidade e inconsequência. Além de três jovens levados ao hospital, um deles em coma alcoólico, dois foram detidos após agredir jornalistas que estavam no local. Um dos agressores é  menor de idade. O problema é apenas mais um entre vários que se repetem e retratam o consumo desenfreado de álcool, e outras drogas, pela juventude.

 

Um dado alarmante foi revelado em relação aos universitários e o uso da bebida alcoólica no País. O levantamento, realizado pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) e o Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas (Obid), em 2010, constatou que 86,2% dos estudantes já usaram álcool ao longo da vida. Quase metade (48,7%) relatou ter consumido alguma substância psicoativa.

 

Entre os homens, as drogas psicoativas usadas com maior frequência foram a maconha (34,5%), inalantes (25,5%), cloridrato de cocaína (11,3%) e alucinógenos/ecstasy (ambos com 11%). Nas mulheres, as drogas mais usadas foram maconha (19,9%), anfetamínicos (18,1%), inalantes (16,6%) e tranquilizantes (14,7%). Do total, 58,1% fizeram uso de duas ou mais drogas na vida.

 

Além disso, 45% deles também usaram, na vida, o álcool combinado a outras drogas durante a mesma ocasião. Motivos pessoais, como gostar e querer esquecer os problemas da vida, ou  a necessidade de controlar e manipular os efeitos agradáveis e desagradáveis de álcool (ou das drogas associadas) foram as principais motivações apontadas pela pesquisa no uso múltiplo e simultâneo de álcool com outras drogas.

 

 

Segundo o sociólogo e professor da Universidade de Brasília (UnB) Antônio Testa, os números expressivos do consumo de álcool pelos jovens revelam a predisposição do indivíduo, na fase de adolescência, em criar novas experiências e desafiar a autoridade. “Nos rituais de iniciação da nossa sociedade as pessoas costumam passar por determinados comportamentos. Beber, fumar, e eventualmente, iniciar o caminho das drogas, são formas que eles encontram para serem mais aceitos em uma nova fase da vida”, diz Testa.

 

Mas não é apenas durante a adolescência que a situação tem se desenvolvido. O fato também foi observado no final da infância. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense), divulgadas em 2009 pelo Ministério da Saúde, mostraram que 71,4% dos estudantes da 9ª série, com idades entre 12 a 15 anos, já experimentaram álcool alguma vez.  O Ministério da Saúde alertou que a idade média para a iniciação do álcool no País ficou em 12,5 anos.

 

Leia mais na edição impressa deste sábado (18) do Jornal de Brasília.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado