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Brasília

Feriado de Páscoa vai custar caro para população do DF

Arquivo Geral

25/03/2015 6h30

Carla Rodrigues e Raphael Costa
redacao@jornaldebrasilia.com.br

 Carla Rodrigues e Raphael Costa

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Alimento indispensável durante a Páscoa, o peixe estará mais caro nos supermercados do Distrito Federal. A previsão é de que haja aumento de, pelo menos, 17% nos preços, segundo a Associação dos Aquicultores e Pescadores Artesanais. O motivo, explica o presidente da entidade, Francisco Baia, está   relacionado à crise hídrica. Além disso, decisões governamentais, como o reajuste nos combustíveis, luz e água, também são fatores que influenciam no custo.

E não é só o valor do peixe que pode preocupar o brasiliense. O JBr. já mostrou que os ovos de Páscoa estão quase 7% mais caros – reajuste atribuído à inflação.

“A logística   no DF é muito cara para nós, produtores. Aproximadamente 80% do pescado  vem de fora. E há aumento na demanda durante este período”, diz Francisco. Os maiores produtores do peixe mais consumido esta época do ano  no DF, a tilápia, são  Ceará, Minas Gerais, São Paulo e Paraná, estados que sofreram com a crise hídrica. “Associado a isso, houve aumento no combustível, que impacta   no frete. Tivemos aumento em   impostos que estão relacionados à gaveta do pescado e o aumento de energia, água”, explica. 

 Apesar da elevação nos preços,   a expectativa do setor é de que as vendas aumentem 20%. “Há um fenômeno envolvido aí, um detalhe, que é o fato de as pessoas terem uma consciência alimentar maior hoje em dia.  Elas estão buscando uma vida melhor e sabem que o peixe é extremamente nutritivo”, salienta Francisco. 

De acordo com  a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), o DF tem   430 produtores de peixe, a    maioria de pequeno porte. Por isso, esclarece a coordenadora do programa de piscicultura, Florence Marie Berthier, o comércio deles é feito basicamente em feiras, por um preço mais elevado do que nos supermercados. “Eles têm uma escala menor e, por isso, conseguem um valor melhor”, afirma. 

Consumidor nota mudança nas prateleiras

O funcionário público Leoncio de Freitas,   62 anos, é um dos consumidores que observaram o reajuste dos preços.   “O salmão é um dos que eu notei o aumento mais acentuado. É um peixe que eu e minha família gostamos muito, mas, com o preço atual, deixamos   de fora das nossas compras”, revelou.  Ele destaca o fator sazonal para o encarecimento do item. “Com a chegada da Páscoa, há o aumento perceptível de diferentes produtos”, diz.

A percepção  é confirmada por Givanildo de Aguiar, gerente de um supermercado. “Peixes importados, como   o salmão e o bacalhau, sofreram   aumento  por diversos motivos, como a alta do dólar. E há  um acréscimo devido à proximidade da quaresma”, reconhece.  

Para driblar o aumento, os consumidores Leoncio e Luzia compartilham de   métodos  para economizar e obter os itens desejados. “Pesquisar, ver se compensa comprar com mais pessoas uma quantidade mais elevada”, diz a dona de casa. “O poder de compra  deu uma diminuída. Então, você tem que ir atrás e ver o que compensa comprar, qual empresa oferece o maior custo-benefício”, completa ele.

  36 mil toneladas por ano

Entre os peixes mais consumidos na região  estão a tilápia, o pintado e o tambaqui. Hoje, estima-se que demanda pelo alimento no DF esteja em torno de 36 mil toneladas por ano. “O peixe consumido no DF é praticamente todo de fora. A nossa   produção é muito pequena”, ressalta Florence Marie Berthier, da Emater. 

Consumidora assídua de peixes, a dona de casa Luzia Maria de Jesus,  71 anos, afirma que notou o aumento do preço dos produtos. “Costumo comprar peixes diferentes, e a maioria deles sofreu   aumento, como a merluza, por exemplo”, afirmou a dona de casa.

Para ela, o aumento nos preços não é uma exclusividade dos pescados. “Se você analisar o preço dos itens de uma compra para a casa, todos   subiram. Da carne vermelha aos produtos de limpeza, quase nada ficou no mesmo preço ou abaixou do ano passado para cá”, diz.

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