Isa Stacciarini
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Inaugurado há quase cinco anos, o Shopping Popular de Brasília é o retrato da solidão. Criado para retirar os ambulantes ilegais das ruas e oferecer um local adequado de comercialização de produtos, o local se limitou ao vazio, com corredores escuros, boxes fechados, sujeira e falta de público. Os permissionários que ainda insistem em ficar por lá alegam falta de rendimento.
O que era para ser um lugar de intensa circulação de clientes para compras e passeio, hoje retrata a insatisfação dos feirantes. No local, o vazio só não é completo na hora do almoço, em razão da praça de alimentação, com pouca variedade.
Reclamações
O cenário de reclamação toma conta do ambiente de trabalho dos permissionários, que convivem com a precariedade do local, onde faltam serviços básicos, como água. Eles lutam por uma mudança de gestão para reverter a realidade do local e criaram um novo grupo, denominado Associação dos Permissionários do Shopping Popular de Brasília.
O secretário geral da associação, o ex-administrador do Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), Edson Rosa, destaca que é necessária a busca de entendimento entre os órgãos do Governo do Distrito Federal (GDF) para que o shopping possa funcionar. “Os feirantes investiram milhões em recursos. O que se encontra é uma situação que se perdura há anos e não tem solução”, aponta.
Investimentos e esperanças em vão
O presidente da nova associação, Cláudio Feitosa Carvalho, ressalta que são necessárias ações para que o shopping reverta a atual situação. Segundo ele, os feirantes começaram a abandonar o local devido às condições de falta de clientela. “Os permissionários acabam ficando descrentes e desacreditados que essa realidade possa ser alterada”, explica.
Carvalho aponta que falta divulgação do shopping popular e, diante de um cenário de abandono, os poucos feirantes que ainda sobrevivem no local chegam a fechar os boxes antes das 15h diante da falta de frequentadores.
Desilusão
O feirante Luiz Lemos Viana, 51 anos, foi um dos primeiros a chegar ao local. O comerciante, que vendia as mercadorias na plataforma superior da Rodoviária do Plano Piloto, acreditava que iria ter um rendimento maior no novo local, mas a esperança durou pouco tempo. “Não vendo nada e não tenho nenhum rendimento mensal. Só acumulo endividamento e não sei nem por onde começar”, lamenta.
Versão Oficial
O diretor de Serviço da Coordenadoria de Cidades do GDF, Passen Assad, destaca que até o fim deste semestre devem começar as obras de órgãos do governo no Shopping Popular, com o Departamento de Trânsito (Detran) e o Banco de Brasília (BRB). Segundo ele, a obra está aguardando apenas a conclusão da licitação para que comece a ser erguida. “A transferência do posto do Detran que fica no SIA para a garagem do Shopping Popular vai contribuir para uma circulação maior de pessoas na região, uma vez que o Departamento recebe diariamente dois mil cidadãos”, ressalta.