Da Redação
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“Estou muito triste porque são anos de trabalho perdido”, resumiu a artesã Elizabeth Mendanha de Assis, ao ver os restos dos produtos no meio da fumaça, causada pelo incêndio que destruiu completamente o Empório dos Produtores Rurais do Lago Oeste, às margens da BR-020, rodovia que liga Brasília a Formosa, em Sobradinho. O fogo deixou um prejuízo de R$ 100 mil aos expositores. Elizabeth e o marido Antônio Moacir Mato tinham dois boxes com aparadores, molduras, gamelas, colheres, tudo confeccionado em madeira.
O incêndio começou por volta de meia-noite de segunda-feira, no telhado de palha. Durou cerca de 30 minutos e consumiu todos os produtos, a estrutura e a vegetação próxima do local. A fiação de um posto de iluminação pública a 15 metros de distância e fios telefônicos de quatro operadoras também foram destruídos pelas chamas, que chegaram a cerca de dez metros de altura.
O frentista Leandro Sérvulo de Lima, 23 anos, afirma que o fogo começou no telhado. “Foi muito rápido. Em cinco minutos a palha da cobertura estava destruída”, disse o jovem. O Corpo de Bombeiros foi chamado, mas quando chegou o fogo havia destruído os 24 boxes de 17 expositores, que mantinham a feira há seis anos. O espaço é da Secretaria de Agricultura e estava cedido para a Associação dos Produtores do Lago Oeste e para a Associação dos Artesãos e Culinaristas de Sobradinho.
Investigação
Agentes da 9ª Delegacia de Polícia (Lago Norte) investigam as causas do incêndio. Eles trabalham com duas hipótese: curto-circuito e incêndio criminoso. Essa, porém, não foi a primeira vez que ocorreu um incêndio no local. Há quatro meses, houve um princípio de incêndio, mas as chamas foram contidas a tempo.
A delegada-chefe Nélia Vieira, responsável pelas investigações, apurou que o sistema elétrico da feira foi trocado há cinco meses e estava desligado. Ela vai aguardar o laudo da perícia do Corpo de Bombeiros e de peritos do Instituto de criminalística (IC). O resultado deve ser concluído em 20 dias. A delegada já ouviu Célio Ernesto Brandalise, administrador do empório, e vai interrogar funcionários de postos de combustíveis das proximidades para tentar identificar os culpados. Quem tiver qualquer informação pode telefonar para o número 197 e não precisa se identificar.
Para Célio Brandalise, o incêndio foi criminoso. O administrador descarta a possibilidade de curto-circuito. Ele garante que o local passou por uma reforma em suas instalações e a energia elétrica estava desligada pela Companhia Energética de Brasília (CEB). “Alguém colocou fogo. Vivem por aqui moradores de rua e viciados em droga”, afirma.