João Paulo Mariano
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O novo presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio-DF) foi eleito nessa quarta-feira por unanimidade entre os votantes – 27 votos – e deve comandar a entidade até 2022. Francisco Maia é empresário do ramo dos serviços e da hotelaria há mais de 20 anos e terá o desafio de incentivar o setor, que é fundamental para o crescimento da economia local.
Em seu discurso, depois da vitória, Francisco Maia afirmou que a “auto-sustentabilidade será sempre uma preocupação e obsessão”. Também prometeu cortar gastos, ajustar as contas e preparar a Fecomércio para um período de equilíbrio e controle orçamentário que é esperado em breve.
Para o novo presidente, a prioridade será fazer com que os 26 sindicatos filiados e os dois associados se aproximem mais da federação, para que todos, no fim das contas, sejam fortalecidos. Porém, segundo ele, esse é um desafio complicado por dois fatores. O primeiro é que essas entidades se afastaram da Fecomércio nos últimos anos, provocando o enfraquecimento das lutas do setor.
Maia avalia que, se o setor não estiver unido, as possibilidades de crescimento do comércio serão menores. Além disso, ele vai contra um entendimento de gestões anteriores, de que esse afastamento não seria prejudicial ao segmento. Para Maia, quanto mais perto todos estiverem, melhor.
Além disso, defende que os sindicatos vão precisar se reinventar agora, que não recebem mais a contribuição sindical após a reforma trabalhista de 2018. Esse segundo ponto seria muito importante e um grande desafio, pois havia o costume de contar com esse dinheiro. O empresário ressalta que se trata de um problema existente em todos os estados, e não apenas no DF. Haveria unidades da Federação com entidades completamente enfraquecidas, dificultando a saída da crise, de acordo com o presidente da Fecomércio-DF.
“Não é um desafio fácil. As pessoas precisam entender que necessitam dos sindicatos para ficarem mais fortes e unidas. Como não há muito dinheiro, será preciso se reinventar e criar novas formas de sustento”, diz Francisco Maia, que comandará uma representação que responde por 90 mil empresas na capital e é responsável por 93% do Produto Interno Bruto (PIB) privado brasiliense.
Na análise de Maia, uma forma de auxílio é se unir ao governo, tanto o local quanto Federal, para oferecer serviços importantes. Um exemplo é a prestação de treinamento de pessoal, que poderia ser feito pelo Senac, especializado nessa área. Ou ainda o atendimento às demandas de cultura, com o auxílio do Sesc. Essa união fortaleceria todos os lados e daria frutos junto à população.
Futuro esperançoso
Apesar de os governos de Ibaneis Rocha (MBD) e de Jair Bolsonaro (PSL) estarem há pouco mais de um mês em vigor, o presidente da Fecomércio está esperançoso em relação aos dois. Ele pondera que ainda não houve tempo suficiente para mudanças complexas, mas acredita que elas virão.
“Existe uma disposição positiva de fortalecer o empresariado. Estou muito otimista. Ainda estamos sentindo a dinâmica de tudo, em especial com Ibaneis. Estamos dialogando. É importante a interação do governo com o setor privado”, destaca. Para ele, haveria pessimismo se o emedebista não estivesse conversando com os empresários. No entanto, como há diálogo, é possível esperar que coisas boas venham no futuro.
Outro fator que deve contribuir para alimentar essa esperança é a aproximação com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). “Meu primeiro ato quando assumi a Federação foi buscar o apoio do presidente José Roberto Tadros. Continuarei trabalhando, agora em definitivo, junto à CNC e defenderei o Sistema Nacional do Comércio em todas as oportunidades”, explicou.
Saiba Mais
A participação de Francisco Maia na Fecomércio não ocorre apenas por agora. Ele já integrou a diretoria de forma interina e fixa. Depois, se tornou vice-presidente, último cargo que exerceu até ser eleito presidente da instituição.
Apesar de ser empresário há mais de 20 anos, Chico Maia, como é conhecido pelos amigos e grande parte do empresariado, é jornalista de formação e já atuou em jornais de grande porte da capital, como o Jornal de Brasília.
Porém, ele se apaixonou pelo empreendedorismo e resolveu deixar a escrita para se dedicar ao ramo dos serviços e da hotelaria.
Maia assume a presidência após a saída de Adelmir Santana, à frente do cargo por 17 anos.
A Fecomércio é uma das grandes representantes do setor em Brasília. Além de desenvolver estudos, busca dialogar com governo e outras entidades para evolução e melhora do comércio da capital.