O fazendeiro Sérgio Marcus Baesse de Souza, 65 anos, fingia-se de juiz arbitral, advogado e ex-desembargador para enganar pessoas humildes, de quem cobrava elevados honorários advocatícios com a promessa de resolver problemas na Justiça. Descoberta a farsa, ele foi indiciado nesta terça-feira (22) pelo delegado Miguel Lucena, chefe da 6ª Delegacia de Polícia Civil (Paranoá e Itapoã), por crime de estelionato, com pena que varia de um a cinco anos
de reclusão.
Uma das vítimas de Sérgio é o lanterneiro Francisco das Chagas Souza, 60 anos, que contratou os serviços profissionais do falso advogado, por R$ 15 mil, para tentar uma prisão domiciliar para seu filho Francenilton de Lima Souza, que cumpre pena no Presídio do Distrito Federal e sofre com um tumor cerebral.
Se passando por outra pessoa, Sérgio chegou à residência do lanterneiro pilotando um BMW azul e se apresentou como o advogado José de Almeida Tourinho, inscrito na OAB/DF sob o número 1.061. Na ocasião, ele cobrou R$ 40 mil para assumir a causa, mas aceitou reduzir os honorários para R$ 30 mil. Recebeu R$ 15 mil adiantados e deixou a outra metade para quando libertasse o filho do cliente.
Como não percebeu nenhuma movimentação processual, o lanterneiro desconfiou. O falso advogado ainda insistiu, por telefone, para que Francisco das Chagas depositasse R$ 5 mil numa conta da Caixa Econômica Federal, em nome de terceira pessoa, mas a vítima, já cismada, preferiu procurar a polícia.
A Polícia Civil descobriu que José de Almeida Tourinho é Sérgio Baesse, inscrito no Sindicato dos Juízes Arbitrais do Brasil, e usava ilegalmente a inscrição do advogado Carlos Alberto na Ordem dos Advogados do Brasil, seção do Distrito Federal.
A ficha criminal de Sérgio Baesse é repleta de inquéritos policiais e processos por estelionato e falsificação de documentos, no Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais.