Eles já floresceram e as pétalas começaram a cair. Agora, as flores dos ipês roxos, que enfeitam a cidade desde o início do mês, abrem alas para a floração dos amarelos, dos brancos e, por fim, dos rosas. Durante todo o período de seca em Brasília, as famosas plantas costumam encantar os moradores e os visitantes da cidade. As árvores enfeitam os gramados do Eixo Monumental, dos eixinhos Sul e Norte, do Parque da Cidade e das entrequadras do Plano Piloto. Para alguns, os delicados buquês são motivo de inspiração, o que merece mais do que apenas um olhar: é preciso eternizá-los em fotografias.
É o que acredita a artista plástica Suelene Borges, 45 anos. Todo ano, ela fotografa a beleza dos ipês. A ideia é fazer um apanhado das plantas e mostrar também os pássaros que se alimentam delas. Por isso, passeia com uma máquina fotográfica nas mãos.
“Faço um estudo disso. Quero mostrar às pessoas como é importante preservar a natureza. Existe toda uma lógica na floração dos ipês e de outras plantas. Servem de alimentos para o beija-flor, por exemplo. Por isso, faço flagrantes desses momentos”, explica.
Beleza singular
Para ela, os ipês são flores de beleza incomparável. “Não dá para dizer qual é a mais bonita. Adoro várias flores, várias plantas. Mas o ipê tem algo que é só dele, uma beleza singular”, diz ainda. Ela mora em uma das poucas quadras de em que a árvore ainda está repleta de buquês roxos, a 410 Norte. “Tem muito mais por aqui, mas essa foi resistente. Ainda está bem cheia para a época. Daqui a pouco, vêm os amarelos”, afirma.
Segundo a engenheira Carmen Regina Correia, do Centro de Referência e Conservação da Natureza e Recuperação de Áreas Degradadas da UnB, neste ano a floração começou mais cedo. O motivo pelo qual os ipês florescem na seca está ligado ao vento da época. “É uma estratégia dos ipês, porque eles precisam do vento para dispersar as sementes pelo ar”, explica.