Fábio Magalhães
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Com a aproximação das chuvas, previstas a partir da próxima semana, a preocupação em relação às áreas de risco e aos alagamentos voltam a surgir. Em todo DF, são inúmeras as localidades que apresentam perigo à população. Mesmo com o aumento dessas áreas de risco, as obras necessárias de prevenção aos desastres e transtornos, não saíram do papel durante o período de seca. A infraestrutura de todo o Distrito Federal continua a mesma do ano passado.
Apresentado pela Secretaria de Obras como uma das medidas para diminuir o sofrimento da população durante as chuvas, o Programa Águas do DF reforçaria a rede pluvial em pontos de Taguatinga e no Plano Piloto conhecida por ser mais suscetível aos alagamentos. O edital foi publicado no primeiro semestre, mas um questionamento do Tribunal de Contas do DF (TCDF) em relação à falta de divisão dos lotes de serviço e à documentação paralisou o processo de pré-qualificação referente às áreas do centro da capital.
Inicialmente, conforme o planejamento, as obras de reforço das galerias de águas pluviais e a construção de bacias de detenção e filtros de resíduos custariam aos cofres públicos R$ 312,3 milhões e demorariam dois anos e meio para serem executadas. Com a paralisação, não há previsão para reinicio do processo.
Segundo o secretário de Obras, David José de Matos, a pasta aguarda uma nova análise do TCDF para dar continuidade ao programa. Questionado sobre o motivo de a ação contemplar apenas duas regiões administrativas, Matos explicou que nas outras cidades é necessária apenas a manutenção e a readequação da estrutura existente. “Essas obras seriam para minimizar os problemas, mas não para este próximo período de chuvas. A escolha do Plano Piloto e Taguatinga se deu porque essas áreas não têm redes de captação. Já nos outros locais do DF, vamos resolver com a expansão das galerias e com outras obras menores”, explicou o secretário.
Ações
Enquanto o impasse da licitação do Programa Águas do DF não é solucionado, ações paliativas são executadas pela Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) durante o ano inteiro e intensificado neste período de transição de estações.
De acordo com o chefe da Seção de Manutenção e Drenagem de Águas Pluviais da Novacap, Ângelo Tiveron, o trabalho de limpeza de bueiros em preparação para o período de chuvas começou no mês de junho e já realizou a desobstrução de 65 mil metros de rede pluvial em todo o DF. Em sua visão, os alagamentos registrados em algumas regiões são decorrentes da falta de atualização do sistema de captação de água e dos maus hábitos da população.
Em média, dez toneladas de resíduos são retiradas diariamente das galerias de águas pluviais do DF. Além de terra, restos de construção, madeiras, brinquedos, roupas, plásticos e lixo orgânico são dispensados ilegalmente nos bueiros. Conforme explica Tiveron, por haver pouco comprometimento da população, a demanda é interminável. “A limpeza do sistema de drenagem é preocupante. Atendemos 30 regiões administrativas e sempre tem lixo nos bueiros”, conta o representante da Novacap.
A geógrafa Ercília Torres defende que somente este trabalho não resolve o problema do DF. Segundo ela, é preciso realizar obras de expansão das redes e a correta drenagem da água que fica acumulada na superfície da terra. por causa da impermeabilização causada pelo acelerado ritmo de construções na capital.