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Brasília

Falta de UTI ameaça a vida de mais um bebê

Arquivo Geral

09/03/2015 7h00

Com 40 semanas de gestação e depois de passar por seis hospitais, Loyane Cristina dos Santos, 30 anos, sofreu um sangramento e finalmente passou por uma cesariana – que, segundo ela, já era indicada por seu quadro de hipertensão – no Hospital Regional de Samambaia (HRS), na última sexta-feira. Em função da pressão alta, a propósito, a mulher estava afastada do trabalho há três meses. Porém, nem o estado de saúde crítico  nem o encaminhamento médico que a mulher afirmou possuir pela gravidez de risco  foram suficientes para que ela conseguisse realizar o parto cesáreo antes que seu bebê entrasse em sofrimento, ingerisse as próprias fezes e precisasse de uma UTI neonatal – que o hospital não possui – para ser então internado em estado grave. 

De acordo com a técnica administrativa Priscila Jacobina, de 27 anos, cunhada de Loyane, em todos os hospitais a desculpa era a mesma. “Eles diziam que uma portaria do Ministério da Saúde lançada recentemente determina que a cesárea só deve ser realizada em último caso. Só que a Loyane possuía indicação médica, isso é um absurdo!”, reclama.  

Ministério Público

Após a cesárea, a mãe continua internada e não pode fazer muito pelo filho. Sua família, no entanto, está mobilizada para ajudar a salvar a vida de seu bebê. “Fomos ao Ministério Público hoje (ontem) a tarde solicitar a internação em uma unidade neonatal. O processo demorou porque a médica só fez o pedido hoje (ontem) pela manhã, mesmo suspeitando de má formação no coração ou de algum problema no pulmão do bebê”, comenta Priscila. 

Para piorar, em função do estado grave, a criança não pode ser transferida para um hospital que possua unidade neonatal no momento. “Mas terá que ser, já que o hospital não possui UTI neonatal”, acredita a cunhada.

O auxiliar administrativo Leandro Jacobina, de 27 anos, marido de Priscila, ressalta a problemática de se realizar cesarianas em hospitais que não possuem UTI neonatal. “Isso nem deveria ser permitido, já que se a criança precisar de assistência não poderá ser internada ali”, destaca. 

Agora, a solicitação já está formalizada junto ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). “Não nos deram um prazo, disseram apenas que o nome dela era um dos primeiros na lista de prioridades. Esperamos que seja rápido, pois cada minuto é decisivo para esta criança”, alega Priscila.

Saiba mais
A Portaria   1020, de 29 de maio de 2013, institui as diretrizes para a organização da Atenção à Saúde na Gestação de Alto Risco e define os critérios para a implementação e habilitação dos serviços de referência à Atenção à Saúde na Gestação de Alto Risco. 
Na portaria não está explícita, porém, determinação que obrigue as unidades de saúde a só realizarem cesarianas após todas as tentativas de parto normal serem esgotadas. 
Pelo contrário. O artigo 2º, parágrafo VI, garante “o encaminhamento responsável na gestação de alto risco: processo pelo qual a gestante de alto risco é encaminhada a um serviço de referência, de forma a ter assegurado o atendimento adequado”.
 
Paciente tem prioridade, diz secretaria
Procurada, a Secretaria de Saúde   (SES-DF) confirmou que a paciente deu entrada no Hospital de Samambaia na última sexta-feira, às 21h01, onde passou por uma cesariana.  De acordo com a pasta, o bebê também está internado no Hospital de Samambaia e aguarda uma vaga na UTI neonatal. “Devido ao estado em que ele se encontra, não poderá ser transportado para uma UTI neonatal em outro hospital no momento e aguarda com prioridade uma vaga”, explica. 
 
Questionada sobre os motivos que ocasionaram os problemas no parto, a SES  informou   que precisa averiguar, entre outras informações, se os pré-natais da paciente foram feitos adequadamente, antes de prestar  estes esclarecimentos. 
 
Em relação ao número de unidades de UTI neonatal, solicitado à secretaria, o órgão informou    estar apurando. Novos dados devem ser repassados ainda hoje.
 
Enquanto aguarda uma solução, Priscila Jacobina, tia do bebê,    alerta  sobre a recorrência de casos deste tipo. “Isso acontece muito. Aconteceu comigo, e tive que dar um escândalo   para poder fazer uma cesárea, pois não tinha dilatação suficiente e já estava com 39 semanas completas”, lembra. “Depois que divulgamos o caso na internet,   mães   me procuraram dando força e compartilhando   experiências. A saúde pública do DF precisa de uma reforma urgente”, completa.

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