Júlia Carneiro
julia.carneiro@jornaldebrasilia.com.br
A Companhia Energética de Brasília (CEB) ressarciu em R$ 6,01 milhões consumidores que ficaram sem energia acima do limite aceito pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) entre os meses de janeiro e setembro do ano passado. Antes mesmo de os dados de 2012 estarem fechados, os descontos nas faturas já são superiores aos de anos anteriores: 5,6 milhões em 2011 e 4,4 milhões em 2010.
A agência estabelece limites para os indicadores individuais de Duração de Interrupção por Unidade Consumidora (DIC), Frequência Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora (FIC) e Duração Máxima de Interrupção Contínua por Unidade Consumidora (DMIC). Quando há violação desses limites, a CEB deve compensar financeiramente a unidade consumidora. A compensação é automática e descontada da fatura.
Nos anos anteriores, a CEB também ultrapassou os limites de Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora (DEC). Em 2011, o limite era de 12,92 horas sem energia, mas o DF ficou 15,68 horas na escuridão, quase uma hora a mais que em 2010.

Apagão
Um dos motivos que podem ter elevado os índices no ano passado foi o apagão que ocorreu em setembro, quando 70% do Distrito Federal ficou sem energia por mais de três horas, atingindo 616 mil consumidores. Apenas Asa Sul, SIA, Gama e Santa Maria não tiveram problemas. O caos se instalou na capital do País, com semáforos desligados, metrô parado e estudantes dispensados das aulas.
De acordo com a Assessoria de Imprensa da CEB, existem vários motivos e situações que justificam o aumento desses números, entre eles o maior é o crescimento verticalizado das cidades do Distrito Federal. O Gama foi citado como exemplo, pois, segundo a companhia, não tinha estrutura para atender ao aumento da população e consequentemente o maior consumo de energia. De acordo com a CEB foram gastos R$ 160 milhões em obras em 2012, incluindo inaugurações no próprio Gama, a revitalização do novo centro de operação, linha de redistribuição em Santa Maria e Mangueiral. Esses investimentos seriam a resposta da CEB para zerar o número de interrupções de energia.
Na seca ou na chuva
As mudanças e iniciativas da CEB, visando reduzir as ocorrências de falta de energia, nem sempre são bem recebidas. Thiago Cavalcanti, 24 anos, bacharel em Direito, mora em um condomínio perto do Jardim Botânico e reclama que, mesmo após colocarem uma linha de alta tensão que vem de uma hidroelétrica perto de Luziânia (GO), nada melhorou. “Já me disseram que essa linha nem deveria passar por aqui, que era para ser subterrânea já que é em área urbana, mas eles consideraram essa área como rural”, explica Thiago. Ele lembra várias situações em que a luz acabou nos últimos três anos.
Uma vez, há dois anos, faltou energia durante a comemoração de aniversário de sua mãe, no dia 31 de dezembro e a energia só voltou de madrugada. “Na realidade, é uma coisa corriqueira aqui em qualquer época do ano, com seca ou chuva. E quando acaba é na área toda. Inclusive em lugares que eu trabalhei, no Plano Piloto, faltou energia pelo menos umas três vezes em 2012, a ponto de todos os prazos terem que ser prorrogados”, completa.
Nas festas de final de ano, foram muitas as reclamações de falta de energia em várias cidades.