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Brasília

Falta de energia para Brasília

Arquivo Geral

05/10/2012 7h02

Lucas Dutra
lucas.lavoyer@jornaldebrasilia.com.br

Metrôs inoperantes, engarrafamentos quilométricos, colisões no trânsito, problemas com sinais de telefonia móvel e transmissões 3G, prejuízos financeiros,   elevadores travados, hospitais, órgãos, autarquias e estabelecimentos comerciais sem sistemas e às escuras. Longe de pertencer a uma aventura cinematográfica, o cenário caótico vivenciado no Distrito Federal durou mais de três horas, após um incêndio próximo a uma subestação da Companhia Energética de Brasília (CEB) deixar 70% da cidade sem luz, por volta das 13h de ontem. A estimativa da companhia é de que 560 mil consumidores tenham ficado sem energia elétrica.

 

Sob uma rede de transmissão de energia, suspensa a cerca de oito metros do solo, localizada entre as subestações Brasília Sul e Brasília Norte, um  incêndio alimentado pela vegetação do Cerrado sobrecarregou a linha e ocasionou um desligamento em cascata, que culminou em grande parte do DF sem luz. Somente às 15h15, todo o sistema havia sido retomado. No entanto, a normalização da eletricidade em algumas regiões demorou bem mais. Até as 18h, o problema atingia o Vale do Amanhecer e a Área Rural do Padef. Não houve prejuízos financeiros, apenas a queda de energia.

 

   Segundo o presidente da CEB, Rubens Fonseca, esta é a primeira vez que o termo “apagão” pode descrever a situação ocorrida no DF. “Constatamos um acidente grave. começou com um incêndio no cerrado, pela temperatura bastante alta e seca. O fogo embaixo da rede provocou o desligamento de uma das linhas nossas, que sobrecarregou outras, e em cascata o sistema caiu. Toda a equipe da CEB se concentrou em torno do sistema”, aponta. Apenas as áreas da Asa Sul, Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), Gama e Santa Maria não foram prejudicadas com a interrupção do fornecimento de energia. As regiões centrais, norte e leste do DF foram as que mais sofreram com o apagão.    

 

De acordo com a CEB, a queda no fornecimento do DF não tem nenhuma relação com o constatado na noite da última quarta-feira,  nas regiões Sul, Sudeste,  Centro-Oeste e nos estados do Acre e Rondônia, também originado por um incêndio, em uma subestação de Furnas, em Foz do Iguaçu. Até maio de 2013, a companhia pretende disponibilizar mais subestações. “Quero tranquilizar a população de Brasília com relação ao futuro. Temos obras em andamento, R$ 130 milhões em investimento. Nunca antes  fizemos investimentos concentrados como estamos fazendo”, comentou. Até dezembro deste ano, devem ser inauguradas duas subestações novas, no Riacho Fundo e no Gama.

 

Previsão de mais investimento

 

No Distrito Federal, existem três pontos de fornecimento de energia elétrica, localizados nas subestações de Samambaia, Brasília Sul e Brasília Norte. Devido ao incêndio que atingiu as redes elétricas que ligam as estruturas de Brasília Sul, sediada em Samambaia, e Brasília Norte, na área central, houve um desligamento automático , que culminou em um efeito dominó e afetou outras três linhas interligadas. No entanto, não houve prejuízo material.

 

 Segundo o diretor de Operações da CEB, Manoel Clementino, a desativação é uma opção padrão para a situação. “A técnica para combater é desligar, por duas razões: primeiro, para manter a integridade do equipamento; segundo, para manter a integridade das pessoas. O sistema é pensado para desligar nessa situação”, explicou. Com o desligamento, houve um aumento na alimentação de três linhas remanescentes, que acabaram caindo por sobrecarga. Todas as regiões abastecidas por este corredor de linhas teve a interrupção desativada.

 

  Para que problemas assim não afetem mais os moradores do DF, além das obras em andamento, a CEB pretende investir R$ 540 milhões, em um plano semestral. Segundo o presidente da companhia, uma quantidade significativa de subestações devem ser entregues até maio de 2013, antes da Copa das Confederações, realizada um mês depois – Brasília será uma das cidades-sede do evento. 

 

 Devido problema constatado ontem, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deverá estudar a aplicação de penalidades à CEB. Em 2012, a companhia custeou cerca de R$ 4,7 milhões em compensações a consumidores e R$ 5,6 milhões em multas, referentes a problemas no abastecimento.

 

Está prevista para ocorrer hoje uma reunião no Ministério de  Minas e Energia com os órgãos envolvidos na distribuição de energia, para discutir os problemas recentes. Furnas afirma que não foi de sua responsabilidade a interrupção no fornecimento de energia. Da mesma forma, a empresa nega que haja problema de manutenção de sua infraestrutura.

Em relação à interrupção ocorrida na noite desta quarta-feira na subestação Foz do Iguaçu, que deixou diversos estados sem eletricidade, Furnas argumenta, via assessoria de imprensa, que houve um curto-circuito em um equipamento de baixa tensão, um transformador auxiliar de aterramento de 69 quilovolts (kV). Como consequência, o dispositivo de proteção interrompeu o despacho de cerca de cinco mil megawatts (MW) da hidrelétrica de Itaipu ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

 

“Prontamente após o ocorrido, equipes de Furnas trabalharam em conjunto com o Operador Nacional do Sistema (ONS) para minimizar os impactos no SIN e recompor o sistema. Às 21h12, os equipamentos foram liberados por Furnas para operação. As causas da ocorrência continuam sendo apuradas, com análise dos relatórios de proteção e testes nos demais equipamentos. A empresa esclarece ainda que as atividades de manutenção programada estão em dia”, informa Furnas.

 

O ONS também negou que haja qualquer relação deste problema com o ocorrido na noite de quarta.
“perturbações”

 

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, lamentou os transtornos causados pelo que chamou de “perturbações” no sistema elétrico. Em entrevista coletiva após reunião extraordinária do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), Lobão disse que o governo está tomando todas as providências que devem ser tomadas em casos como esse. “Passamos por esses dissabores, mas tomamos todas as providências que, no âmbito de nossa alçada, devem ser tomadas”, afirmou o ministro.

 

 

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