A rotina de quem sai de regiões como Jardim Botânico, São Sebastião e Lago Sul para trabalhar no Plano Piloto pode ganhar alguns minutos preciosos com a implantação da faixa reversível na Estrada Parque Juscelino Kubitschek (EPJK), que passa pela Ponte JK. Iniciada nesta quarta-feira (21), a operação experimental funciona de segunda a sexta-feira, das 6h às 9h, e amplia de três para cinco o número de faixas disponíveis no sentido centro da capital. Para quem enfrenta congestionamentos quase diários, a mudança chega acompanhada de expectativa e também, de cautela.
A psicóloga Laizza Silva Morais, de 37 anos, atravessa a ponte todos os dias para chegar ao trabalho, no fim da Asa Sul. Antes da mudança, o percurso demorava quase uma hora. No primeiro dia da operação, ela levou cerca de 40 minutos e percebeu melhora no fluxo, apesar de alguma confusão no início do desvio. “Estou otimista e espero que a medida contribua para reduzir os congestionamentos”, afirma Laizza.
Pela experiência inicial, ela estima que a redução no deslocamento possa chegar a 20 ou 25 minutos e com um impacto vai além do relógio. Ela trabalha em escala de 12 horas e diz que o tempo perdido no trânsito interfere diretamente no bem-estar e na disposição para enfrentar a jornada. “Muitas vezes, esses minutos a mais no deslocamento fazem a diferença entre conseguir tomar café da manhã com tranquilidade ou sair de casa sem comer”, relata.
A percepção inicial de Laizza sobre a segurança também foi positiva. Antes de usar a faixa, ela tinha receio da mudança, mas considerou a sinalização clara após percorrer o trecho. Ainda assim, avalia que a reversão é uma medida paliativa e que outras iniciativas serão necessárias para enfrentar os problemas de mobilidade da região. Ela também chama atenção para o aumento do fluxo na pista contrária e para a necessidade de garantir travessias seguras para pedestres.
A produtora de eventos Marina Moura, de 32 anos, também faz o percurso diariamente. Quando sai de casa entre 6h e 7h, costuma levar cerca de 40 minutos até o Plano Piloto, mas acidentes e imprevistos podem prolongar a viagem. Segundo ela, o congestionamento pela manhã é recorrente e interfere na organização do trabalho.
“Hoje parece que só tenho duas opções, ou saio de casa muito cedo e chego antes do horário, ou corro o risco de chegar atrasada”, diz Marina. Ela conta que, em várias ocasiões, precisa avisar a chefe de que vai se atrasar por causa do trânsito, uma situação que considera desgastante por se repetir quase diariamente.

A produtora espera que a faixa reversível melhore a circulação, mas ainda não consegue calcular quanto tempo poderá economizar. Para ela, qualquer redução significativa já representaria um ganho na rotina. A mudança, porém, exige um período de adaptação e atenção aos efeitos sobre os motoristas que trafegam no sentido contrário.
Marina afirma que ainda não se sente completamente segura com a novidade e considera que algumas placas precisam ser instaladas com maior antecedência. “Acredito que ainda precisa provar que funciona. Estamos em um período de testes, e acho importante observar a realidade de quem faz esse trajeto diariamente”, avalia.
Na visão da produtora, melhorar um trecho não resolve necessariamente todo o problema, já que o congestionamento pode se formar novamente adiante. Ela defende que os resultados sejam acompanhados e que a experiência dos condutores seja considerada na avaliação da medida.
Como vai funcionar a faixa reversível
De acordo com o Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal (DER-DF), a operação busca melhorar a fluidez para os quase 50 mil veículos que circulam diariamente pela região do Jardim Botânico, São Sebastião e localidades próximas, nos deslocamentos de ida e volta ao Plano Piloto.
No horário da operação, os motoristas que saem do Jardim Botânico em direção ao centro poderão utilizar, além das três faixas habituais, outras duas faixas do lado oposto da via, que terão o sentido invertido. A reversão começa após o balão do Solar de Brasília, na entrada da DF-027, e segue até a travessia da Ponte JK. Depois da ponte, o fluxo volta a contar com três faixas até a altura do trevo do Conselho de Justiça Federal (CJF).
A expectativa do DER-DF é ampliar em mais de 50% a capacidade de tráfego no sentido Plano Piloto durante o pico da manhã. Para reduzir riscos, a velocidade regulamentada no trecho em que ocorre a reversão cai de 80 km/h para 60 km/h. Nas três faixas habituais, o limite permanece em 80 km/h.
A operação reúne o DER-DF, o Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF), o Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv) e o Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran), da Polícia Militar. O balão do Solar de Brasília será operacionalizado pela PMDF; a EPJK ficará sob monitoramento do DER-DF; e o trecho após o cruzamento com a DF-025 até a L4 Sul será coordenado pelo Detran-DF.
Para viabilizar a mudança, o DER-DF realizou intervenções estruturais, incluindo a abertura de cruzamentos no canteiro central para permitir o acesso às faixas revertidas. A operação começa em caráter experimental, após estudos técnicos do departamento, e atende a uma demanda antiga de moradores da região.
O DER-DF pede que os motoristas redobrem a atenção ao circular pela via, especialmente durante o período de adaptação à nova configuração. A ampliação do número de faixas pode favorecer a circulação no sentido Plano Piloto, mas os efeitos da medida sobre o conjunto do trajeto ainda precisam ser observados.