O Teatro Nacional Cláudio Santoro terá fachadas revitalizadas. A obra predileta do artista plástico Athos Bulcão, page falecido há um ano, erectile será restaurada. Os painéis que revestem as fachadas Norte e Sul do Teatro serão recolocados. Em entrevista coletiva concedida nesta quinta-feira (9), o secretário de Cultura, Silvestre Gorgulho, anunciou que as obras começam esta semana e devem durar seis meses. A previsão é que o cartão postal, um dos mais belos da cidade, esteja completo para a virada do ano.
O secretário explicou que no início das obras do Teatro a expectativa era de que apenas cerca de 40 cubos fossem trocados. “Quando os blocos começaram a ser retirados percebemos que havia muita infiltração e que as ferragens estavam enferrujadas. Então preferimos trocar todos”, explica o secretário.
Apesar disto, os gastos não ultrapassarão o orçamento previsto para totalizar as obra, que é de R$ 3 milhões, contando as reformas que foram feitas no ano passado e a recolocação dos cubos.
Para evitar que no futuro os mesmos problemas aconteçam, os cubos serão feitos de argamassa e possuirão uma espécie de calha para o escoamento de água. “Precisamos fazer um cubo que tenha uma durabilidade maior sem afetar o plano original do Athos”, explica Raniere Matos, diretor da empresa Danluz Engenharia, responsável pela obra.
Para garantir que tudo fique tal como Athos Bulcão planejou a secretária-executiva da Fundação Athos Bulcão, Valéria Cabral, acompanhará todo o processo. “Acho que a empresa não pode fazer uma tentativa de deixar tudo exatamente igual. Eles têm a obrigação”, afirma Valéria.
A obra
Os cubos do Teatro Nacional são a maior intervenção artística de Athos Bulcão. Ao todo, mais de 3.391 blocos, de cinco dimensões distintas, espalhados em 17 colunas, que revestem as laterais da grande pirâmide. Instalados em 1966, os blocos de concreto eram fixados nas paredes com pinos de ferro, que enferrujaram com o passar do tempo. As paredes do teatro ficaram sujas por manchas provocadas pela ferrugem e os blocos corriam o risco de despencar, ocasionando sua remoção. Vale lembrar, que estes pinos já foram trocados.
A fim de evitar o desgaste precoce, os novos cubos serão construídos em argamassa armada. O material foi definido após diversos estudos desenvolvidos por técnicos da Novacap, Secretaria de Obras, UnB e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). De acordo com os técnicos, realizando as manutenções periódicas, os blocos podem durar acima de 50 anos.
Como parte das obras tombadas da capital, uma das preocupações dos técnicos era preservar as características originais das peças. Para assegurar que dimensões e posição seriam idênticas às originais, antes de remover e destruir os cubos, todo material foi catalogado. As medidas existentes e a locação seguem estritamente o projeto original. O trabalho de detalhamento foi submetido à apreciação e aprovação pela equipe de Athos Bulcão e incluído no processo de licitação.
De acordo com o secretário de Cultura, Silvestre Gorgulho, não é possível dissociar o Teatro, desenhado por Oscar Niemeyer, dos cubos de Athos Bulcão. “Não se trata de uma reforma de fachada, e sim restauração de uma obra de arte. O conceito original será mantido. Mas queremos realizar uma obra que tenha durabilidade para que todos que venham a capital do país tenham o privilégio de ver essa obra magnífica que é o Teatro Nacional em toda sua plenitude”, destacou.
Para realizar a obra, a empresa receberá do GDF R$ 1,3 milhões. Nas duas licitações anteriores nenhuma empresa havia apresentado propostas para execução do projeto, fator que atrasou a restauração das fachadas.
Desde janeiro de 2007, o GDF já aplicou R$ 3,4 milhões em obras no TNCS. Os recursos foram investidos na impermeabilização de áreas específicas do Teatro, colocando um ponto final nas infiltrações.