Quando o tema é o funcionamento do Expresso DF, a divergência de opiniões rouba a cena. Enquanto alguns moradores de Santa Maria e Gama defendem que o novo sistema diminuiu o tempo de trajeto, outros, por sua vez, reclamam da desativação das linhas diretas e do tempo excessivo para chegar à Rodoviária do Plano Piloto. Ontem, na inauguração oficial do sistema, passageiros que utilizaram os terminais foram surpreendidos com a falta de cartões e reclamaram da falta de planejamento. A tarifa para todo o percurso é de R$ 3.
“Quando cheguei ao terminal, não tinha cartão. O funcionário da bilheteria falou que estava sem sistema. Eu não gostei do BRT. Para mim, não melhorou nada. O coletivo era mais rápido”, reclama Raimundo Nonato Araújo, 34, morador de Santa Maria.
A servidora pública Jane Lima, 44 anos, moradora do Gama, relata que o trajeto até o trabalho, na Asa Norte, ficou complicado. “O sistema não está atendendo a necessidade da população. Tenho que pegar três ônibus para chegar ao trabalho, antes pegava apenas um. Nós sofremos muito”, desabafa.
Morador do Gama, João Noleto, 58 anos, em contrapartida, aprovou a mudança. “Está tudo ótimo. Antes eu pegava ônibus velhos e com goteiras. Agora, pego um veículo novo e não tem congestionamento quando entra na BR”, afirma.
Integração
Antes, os passageiros do BRT pegavam ônibus nos terminais e iam para as cidades de destino em apenas um ônibus. A partir de agora, os usuários têm que pegar um ônibus de uma linha alimentadora, que circula pela cidade e leva os passageiros para o terminal. Depois disso, ainda é preciso embarcar no BRT.
Os passageiros que saem de Santa Maria e do Gama com destino ao Cruzeiro, Sudoeste, Guará, Núcleo Bandeirante e W3 Norte e Sul têm que desembarcar nos terminais da Estação Park Way ou Rodoviária do Plano Piloto.
Na integração, os usuários sobem uma passarela para esperar o próximo ônibus do outro lado, onde não tem proteção para chuva e sol.
Adaptação vai exigir sacrifício da população
A falta de informação também é motivo de reclamação por parte dos usuários. “Acho que está sendo difícil este momento. As pessoas ainda devem se adaptar ao novo sistema. Essa mudança vai deixar o trânsito melhor, pois diminuirá a quantidade de coletivos na rodovia”, ressalta a vendedora Eloah Giovana, 23 anos. Ela mora próximo ao terminal de Santa Maria e todos os dias se desloca até o Aeroporto de Brasília.
Paulo Alves, técnico de TV, 35 anos, todos os dias vai do Gama à Asa Sul. Com a implementação do sistema, o tempo para chegar ao trabalho aumentou. “Antes demorava apenas 40 minutos para chegar ao trabalho. Agora, levo até duas horas. Os funcionários não tratam as pessoas bem”, denuncia.
Ponto de Vista
O especialista em transporte público Paulo César Marques defende que o modelo necessita de uma maior integração entre os meios de transporte. “É preciso que tenha um sistema de forma integrada, e não apenas na parte física (bilhetagem eletrônica). O sistema só vai funcionar quando for totalmente integrado”, explica.
De acordo com o especialista, é preciso que haja três tipos integrações para melhorar o sistema. “A física (bilhetagem), operacional, horários coordenados com as chegadas e saídas dos ônibus, e a institucional – as operadoras podem ser diferentes, mas devem trabalhar em conjunto”, defende.
Versão oficial
O DFTrans reconheceu que houve o erro nos cartões de embarque e diz que já resolveu a situação. Ainda de acordo com a pasta, não há custo para as linhas expressas. “Os ônibus que fazem as linhas do Expresso não estão sendo tarifados. Os usuários pagam para acessar as linhas alimentadoras (que levam até os respectivos terminais de integração) e aquelas que são acessadas pela Epia. O Expresso não tem previsão para a cobrança da passagem. O sistema será tarifado quando for totalmente testado”, esclarece. O órgão destaca que haverá reforço nas linhas. “As reclamações devem ser registradas na ouvidoria do DFTrans, por meio do 162”, destaca o órgão.