Se superar seus traumas (o rival desta tarde foi seu adversário na inauguração “clubística” do Itaquerão e o venceu), o Corinthians tem boas chances de assumir a liderança do Brasileiro após a partida contra o Figueirense. Será (seria) no saldo de gols. E esta liderança durará, pelo menos, até amanhã de manhã, quando o Palmeiras receberá, certamente com novo recorde de público, o Atlético Mineiro na Allianz Arena. Um pouquinho mais tarde, quando já tiver terminado o jogo de São Paulo, o Santa Cruz receberá o Coritiba, em Recife, querendo ganhar para abrir distância do preocupante Z-4, por onde já andou. Ao time do Coxa, uma vitória pode valer sair da zona da degola, onde patina desde o início do Brasileiro.
Estágio
Juan Carlos Osorio fazia bom trabalho no São Paulo. O argentino redescobriu, por exemplo, o futebol de Alexandre Pato. Seu trabalho foi tão elogiado que, ainda no ano passado, deixou o Morumbi e foi treinar a seleção do México. Esteve na Copa América, inclusive, dirigindo a equipe mexicana. Edgardo Bauza faz um bom trabalho no São Paulo. Não conseguiu levar a equipe à final da Libertadores, mas tirou leite de pedra ao fazer com que o tricolor paulista chegasse onde chegou. Agora, Bauza está cotado para assumir a seleção da Argentina, seu país. Tem um forte concorrente: o presidente da República apoia outro nome (engraçado como na América do Sul presidentes gostam de se meter com o futebol, não é mesmo?), mesmo assim, foi chamado para conversar. Desiludido com o desmonte que o São Paulo está sofrendo, se o convite for para valer, aceitará.
Farpas
Muita gente está discordando, achando arrogante, mas a grande verdade é que Yelena Isinbayeva está falando tudo aquilo que vários de seus compatriotas (e até quem não é russo) gostaria de dizer: a decisão da CAS, a Corte Arbitral do Esporte, tem muito mais de política do que efetivamente de salvaguarda do esporte. Excluir atletas dopados? Perfeito. Todos desejamos um esporte no qual os vencedores sejam realmente os melhores, os que mais se esforçaram, os que mais se dedicaram, os que mais possuem talento; mas excluir todos os demais atletas com a presunção de que “saberiam”, “poderiam ter se aproveitado” ou outras explicações estapafúrdias cheira, sim, a politicagem.
Claro que a irritação da russa passa, muito, pelo fato de perder a chance de conquistar o tricampeonato. E é claro, também, que vários adversários (dela, Isinbayeva, e de outros atletas russos) declaram seu apoio à suposta “moralização” defendida pela CAS porque percebem que ficou menos complicado chegar ao pódio olímpico – só que a sinceridade destes adversários não chega a tanto, evidentemente.
A ausência dos russos é um duro golpe no movimento olímpico. Não se pode partir da suposição de que todos os atletas daquele país se dopam ou têm conhecimento de meios ilícitos para conquistar títulos. Azar de todos nós, que perderemos grandes exibições.
Prosseguindo…
Nesta sexta-feira, o Comitê Olímpico Internacional anunciou que foram encontrados novos 45 casos de doping em amostras de urina coletadas nos Jogos de Pequim (2008) e Londres (2012). Do total, 30 teriam acontecido na China e 15 na Inglaterra. Das confirmações de doping de Pequim, 23 são de atletas que conquistaram medalhas, em quatro esportes diferentes, de oito países. Em Londres, são dois os esportes “manchados” e nove países – não foi divulgado se há coincidência de esportes e países. Os comitês olímpicos nacionais serão (a esta altura já devem ter sido) comunicados do fato e os atletas serão sumariamente retirados dos Jogos do Rio 2016. Aí, o colunista pergunta: serão banidos os países como querem fazer com a Rússia? Será que há mais atletas russos envolvidos? Neste momento, nem mesmo a justificativa de preservar-se os atletas pode (ou deve) impedir que se faça, de pronto, a divulgação dos atletas e comitês olímpicos que se valem de meios irregulares para chegar ao pódio. O esporte precisa de uma faxina geral, tanto de cartolas, quanto de atletas.